A pesquisa divulgada em 11 de setembro pelo instituto Datafolha aponta que a avaliação positiva (ótimo/bom) do governo Lula (PT) cresceu quatro pontos percentuais em relação a julho. Nesse mesmo período, a avaliação negativa (ruim/péssimo) oscilou dois pontos para baixo.
Apesar da leve recuperação de Lula, o saldo de popularidade continua sendo negativo para o presidente em cinco pontos. No levantamento anterior, realizado em julho, o saldo negativo era de 11 pontos. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
A melhora na popularidade de Lula pode ser creditada à redução da inflação de alimentos, o que melhora a percepção em relação à economia, principalmente entre a população de menor renda, que é o núcleo-duro da base social lulista. Também beneficiam o presidente a narrativa em torno da defesa da soberania e o julgamento da tentativa de golpe de Estado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
Apesar desses fatores beneficiarem a narrativa do governo, vale registrar que a avaliação negativa de Lula tem se mantido estável. Desde abril, as variações que ocorreram estão dentro da margem de erro. Ou seja, a avaliação negativa do presidente segue sólida. Por outro lado, mesmo que Lula tenha conseguido elevar sua avaliação positiva pela primeira vez desde abril, os percentuais seguem restrito ao eleitorado tradicional lulista, que gira em torno de 1/3 da população.

Segundo o Datafolha, a avaliação positiva do governo é maior entre os nordestinos (45%), os menos escolarizados (40%), e os mais pobres (39%). Por outro lado, a avaliação negativa é maior entre a população da região Sul (52%), os evangélicos (52%), os mais ricos (de 47% a 51% entre as três faixas com renda acima de 2 salários mínimos) e quem tem curso superior (46%).
O Datafolha mostrou um cenário de estabilidade em relação à avaliação do trabalho do presidente Lula (PT). O percentual dos que desaprovam o trabalho do presidente é o mesmo daquele que aprovam. Em relação a julho, a desaprovação oscilou dois pontos para baixo. A aprovação, por outro lado, teve uma variação positiva de dois pontos. A estabilidade em relação à avaliação do trabalho de Lula indica um país bastante dividido.

Realizada entre os dias 8 e 9 de setembro, a pesquisa Datafolha captou apenas parcialmente o início do julgamento no STF. Mesmo com a condenação de Jair Bolsonaro, o impacto desse evento na avaliação de Lula deve ser reduzido, pois o tema ocupa o noticiário desde janeiro de 2023, já tendo sido assimilado pela opinião pública.
Outro aspecto a ser considerado é a recente movimentação do governador de Tarcísio de Freitas (Republicanos), que nas últimas semanas realizou uma maior inflexão em direção ao bolsonarismo, articulando o projeto da anistia no Congresso e fazendo um discurso com ataques no STF no ato político realizado em 7 de setembro, na Avenida Paulista.
Esses movimentos de Tarcísio, assim como de outros presidenciáveis de direita, poderá se intensificar com confirmação da condenação de Bolsonaro, ocorrida hoje.

