O projeto da estrada de ferro que vai ligar Mato Grosso ao Pará, conhecida como Ferrogrão (EF-170), teve seu projeto alterado depois da pressão de ambientalistas e entidades ligadas aos povos indígenas. Pela nova proposta, o trajeto da ferrovia seguirá pela faixa de domínio do trecho da BR-163 que une os dois estados e não passará por terras indígenas nem pelo Parque Nacional do Jamanxim (PA).
O trajeto sempre foi alvo de questionamentos judiciais, a ponto de paralisar o empreendimento por mais de dez anos. A nova proposta do traçado foi apresentada em Sinop (MT), na terça-feira da semana passada, pelo empresário Guilherme Quintela, presidente da empresa Estação da Luz, idealizadora do projeto.
Sinop é o ponto de partida da ferrovia, que se estende por 933 quilômetros até o porto fluvial de Miritituba, no rio Tapajós, já no Pará. Nos dois pontos está prevista a construção de terminais para embarque e desembarque de carga.
O empresário afirmou que o Ministério dos Transportes articula a emissão da licença ambiental, etapa anterior ao lançamento do edital de concessão, previsto para até março do ano que vem. A expectativa é de que as obras comecem no próximo ano, com conclusão em uma década.
Roadshow
O Ministério dos Transportes realizou roadshow para investidores canadenses com o objetivo de levantar US$ 40 bilhões com mais 15 leilões (rodovias e ferrovias), todos programados para até o fim de 2026, quando termina o mandato do presidente Lula (PT). A visita de quatro dias foi organizada pelo BNDES a Toronto e Montreal, quando ministério apresentou sua carteira de projetos para fundos de pensão.
Em publicação no LinkedIn, a secretária nacional de Transportes Rodoviários, Viviane Esse, afirmou que “é a primeira vez que o governo brasileiro, nesse setor, realiza um roadshow aqui. Viemos com um objetivo muito claro: abrir portas, ampliar o diálogo com investidores e mostrar que temos uma carteira sólida, com bons projetos, governança e segurança jurídica”.
Atrativos oferecidos pelo Brasil aos investidores incluem melhoria regulatória e contratual, além de modelagens econômicas e da matriz de risco, medidas que deixam as concessões mais flexíveis. O governo também busca resolver desequilíbrios contratuais e repactuações de contratos em vigor.

