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IDH do Brasil sobe, mas desigualdade atrapalha desempenho geral

País avançou para a 84ª posição entre 193 nações, mas fica em 105º quando se ajusta o índice à desigualdade social

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O Brasil subiu para a 84ª colocação no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 2023, divulgado nesta terça-feira (6) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O país atingiu um índice de 0,786, considerado de desenvolvimento alto, em uma escala que vai de 0 a 1. Em relação ao ranking anterior, o país subiu cinco posições (ou duas, dependendo da base de comparação adotada pela ONU).

O relatório do Pnud, lançado no Rio de Janeiro, considera dados de expectativa de vida, escolaridade e PIB per capita. A edição deste ano também traz como destaque o impacto da inteligência artificial no desenvolvimento humano.

Desigualdade social prejudica o Brasil

Apesar da melhora no ranking geral, o Brasil cai para a 105ª posição quando o IDH é ajustado com base na desigualdade social, chegando a 0,594, o que o coloca na faixa de desenvolvimento médio. Isso demonstra que os avanços em saúde, educação e renda não são distribuídos de forma equitativa entre a população.

Para efeito de comparação, a Islândia, primeira colocada no ranking geral (com 0,972), tem seu IDH ajustado para apenas 0,923. O IDH médio global ajustado pela desigualdade é de 0,590 — valor semelhante ao do Brasil nesse recorte.

IDH da América Latina

Na América Latina e Caribe, o Chile lidera a região com 0,878 pontos (45ª posição). O Brasil faz parte do grupo de países com desenvolvimento alto, ao lado de outras nações como Argentina, Uruguai e Costa Rica.

A média regional subiu de 0,778 (2022) para 0,783 (2023), refletindo uma alta de 0,64%.

Avanço lento e desigual

Segundo Pedro Conceição, coordenador do relatório, embora o mundo tenha atingido seu maior patamar de desenvolvimento humano, o ritmo de progresso é o mais lento da história recente, excluindo o período da pandemia.

“Se mantivéssemos o ritmo pré-2020, atingiríamos um nível de IDH muito alto até 2030. Agora, esse marco foi adiado por décadas”, explicou Conceição. Ele também alertou que países com IDH baixo seguem ficando para trás, o que rompe uma tendência histórica de convergência global no desenvolvimento humano.

Inteligência artificial

O tema do relatório deste ano é o impacto da inteligência artificial no desenvolvimento. O administrador do Pnud, Achim Steiner, destacou a importância de usar a tecnologia como ferramenta para ampliar o potencial humano, e não permitir que ela nos governe.

“Precisamos de cooperação internacional, inclusive dos países mais ricos, para garantir que os mais pobres também participem dessa nova economia baseada em IA”, afirmou Steiner. Para ele, o desenvolvimento no século XXI depende de confiança coletiva, inclusão e criatividade.

Autor

  • Jornalista formado pela Universidade Católica de Brasília (UCB). Com experiência em Política, Economia, Meio Ambiente, Tecnologia e Cultura, tem passagens pelas áreas de reportagem, redação, produção e direção audiovisual.

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