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Rejeição a tarifaço melhora aprovação de Lula e acirra polarização

Popularidade de Lula sobe e tarifas dos EUA reconfiguram cenário político

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A nova rodada da pesquisa Latam Pulse Brasil, divulgada na terça-feira (15), aponta um cenário de empate técnico entre a aprovação e a desaprovação do presidente Lula (ver tabela abaixo). Nos últimos dois meses, a popularidade de Lula melhorou, como consequência da melhora da percepção em relação à economia, da eficiência da campanha “ricos contra pobres” no debate em torno do aumento do IOF, e do impacto negativo do tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a oposição, principalmente em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

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Apesar de a desaprovação ser 0,6 ponto percentual maior que a aprovação, há um quadro de empate técnico em função da margem de erro, que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Outro aspecto a ser observado é que, nos úlmos dois meses, a desaprovação caiu 3,4 pontos. Nesse mesmo período, a aprovação subiu 4,3 pontos. Neste momento, Lula tem a maior aprovação registrada no ano.

A avaliação negativa (ruim/péssima) do governo Lula, embora ainda seja majoritária na opinião pública, também está em queda. O índice negativo caiu 2,7 pontos percentuais em relação a maio. A avaliação positiva (ótimo/bom), por sua vez, oscilou positivamente 1,5 ponto. Assim como ocorre com a aprovação de Lula, a avaliação positiva do governo atingiu o maior índice do ano. No entanto, o percentual é 6 pontos mais baixo que a avaliação negava.

Segundo o instituto AtlasIntel, 60,2% dos entrevistados aprovam a política externa do governo Lula, enquanto 38,9% a desaprovam. Para 61,1%, Lula representa melhor o Brasil do que Jair Bolsonaro; já 38,8% acreditam que Bolsonaro representa melhor o país.

No entanto, 48% avaliam que o Brasil está menos próximo dos Estados Unidos do que deveria, enquanto 39% entendem que o país está tão próximo dos norte-americanos quanto seria adequado.

Em relação às tarifas impostas por Donald Trump, 62,2% dos entrevistados as consideram injustificadas, e 36,8% avaliam que são justificadas. Ainda sobre as tarifas, 50,3% acreditam que elas configuram uma ameaça à soberania brasileira, enquanto 47,8% entendem que não representam tal ameaça.

Quanto à reação do governo brasileiro, 44,8% consideram que foi adequada. Para 27,5%, a resposta foi agressiva; já 25,2% avaliam que foi fraca.

Sobre o impacto das tarifas na economia brasileira, 48,6% acreditam que ele será muito alto, e 30,8% dizem que será baixo. Por fim, 51,2% defendem que o Brasil deveria retaliar os Estados Unidos, enquanto 40,9% são contrários à retaliação.

De acordo com a pesquisa, 75,7% dos entrevistados entendem que as relações entre Brasil e Estados Unidos tendem a se enfraquecer após o aumento das tarifas. Outros 18,2% consideram que elas permanecerão iguais, e apenas 1,5% avaliam que o relacionamento entre os dois países será fortalecido.

A imagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Brasil foi afetada. Segundo o Atlas, 63,2% dos brasileiros têm uma imagem negava de Trump, enquanto 31,9% possuem uma imagem positiva. Quanto à imagem dos Estados Unidos, 50,5% dos brasileiros a consideram negava; para 45,9%, a imagem é positiva.

Tarifas beneficiam Lula

Os números da pesquisa AtlasIntel indicam que as tarifas impostas por Trump criaram um fato político novo que beneficia Lula. Embora o impacto seja negativo para a economia brasileira, caso as tarifas sejam confirmadas pelo governo norte-americano a partir de 1º de agosto, o presidente ganhará uma narrava a ser explorada. Com o discurso de defesa da soberania, Lula tem conseguido apropriar-se de uma bandeira que, até então, era associada ao bolsonarismo.

Além disso, o episódio abre espaço para uma reaproximação com setores que haviam se afastado do governo, como, por exemplo, parte do empresariado. Também joga a favor do Planalto a repercussão negava do tarifaço de Trump sobre a imagem do próprio presidente norteamericano e de Jair Bolsonaro. No caso de Bolsonaro, pesa ainda o pedido de condenação apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O impacto negativo das tarifas também colocou a direita na defensiva.

Apesar da vantagem momentânea do governo no clima político, o Palácio do Planalto enfrenta agora desafios importantes. A responsabilidade pela busca de uma solução para a questão das tarifas está nas mãos de Lula e da diplomacia brasileira.

Caso o presidente não tenha sucesso, o custo econômico das tarifas poderá gerar novos atritos com o setor produtivo e afetar negativamente os indicadores econômicos e sociais. Por outro lado, se Lula for bem-sucedido, tende a se fortalecer para 2026: encontrou uma nova narrava, Bolsonaro está desgastado e a oposição permanece dividida, sem um candidato natural à sucessão.

Independentemente do desfecho da negociação envolvendo as tarifas, o país seguirá polarizado. Mesmo que o tema não permaneça no centro da agenda política até 2026, seu impacto sobre os principais atores será inevitável.

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