A pesquisa divulgada hoje (2) pela Genial/Quaest sobre o que pensam os deputados federais mostra um forte desgaste na relação do governo Lula (PT) com o Congresso Nacional, que deve acentuar-se por conta de decisão do governo em judicializar a decisão do Congresso em derrubar o decreto que aumentava o IOF.
Segundo a pesquisa, 46% dos deputados avaliam o governo negativamente. 27% consideram a gestão Lula positiva e 24% regular. A margem de erro da pesquisa é 4,5 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Quanto à relação do governo com o Congresso, 51% dos deputados a consideram negativa e 30% entendem que é regular. Apenas 18% avaliam como positiva. Questionados sobre as chances de Lula aprovar sua agenda no Congresso, 57% entendem que são baixas e 36% dizem que é alta.
Sobre as poucas vitórias importantes obtidas pelo governo no Congresso, 45% dos deputados atribuem à desarticulação política do governo; 33% citam o impasse sobre a anistia; 15% mencionam a não liberação de emendas; e 6% afirmam que têm relação com a falta de funcionamento das comissões internas.
Embora 84% dos deputados admitam que já foram recebidos por ministros do governo, 69% apontam que o governo dá menos atenção do que deveria aos parlamentares.
A Genial/Quaest também mostrou que a maioria dos deputados é favorável à elevação da faixa de isenção do imposto de renda (88%); à exploração do petróleo na Amazônia (83%); ao aumento das penas para roubos (76%); ao fim da reeleição para o Executivo, com aumento dos mandatos (69%); à segunda parte da reforma tributária (63%); à proibição de apostas online por beneficiários de programas sociais (55%); ao PL alternativo à anistia (54%); à nova política de ensino a distância (53%); e à inclusão de verbas indenizatórias no teto constitucional (48%).
Por outro lado, a maioria dos parlamentares é contrária à elevação da taxa do imposto de renda para os super-ricos (46%); à PEC da Segurança Pública (42%); ao PL dos supersalários (53%); ao fim da escala 6×1 (70%); e à exclusão de verbas do Judiciário do limite de gastos (70%).
Para 64% dos deputados, a política econômica do país caminha na direção errada. Apenas 28% consideram correta.
A pesquisa também mostra um forte apoio da Câmara ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Para 68% dos deputados, a gestão de Motta é positiva. 25% a consideram regular e apenas 6% avaliam como negativa.
O levantamento mostra que 59% dos deputados não acreditam que Motta colocará em votação o projeto da anistia. 30% entendem que sim.
Quanto ao trabalho do Supremo Tribunal Federal (STF), 48% dos parlamentares consideram negativo. 27% dizem que é positivo. 18% avaliam como regular. A pesquisa aponta que 49% dos deputados entendem que o STF sempre invade as competências do Congresso. Apenas 17% consideram que o STF raramente/nunca invade as competências do Poder Legislativo. Apesar da insatisfação, 65% dos deputados não acreditam que será aprovado o eventual impeachment de ministros do STF. 22% entendem que sim.
Em relação ao impasse na distribuição de emendas, 57% consideram que ele continuará. 14% dizem que o Congresso irá ceder. 13% afirmam que o STF irá ceder.
Quanto à eleição de 2026, 68% dos deputados acreditam que o presidente Lula (PT) será candidato à reeleição. 21% entendem que não. No entanto, 50% dos parlamentares entendem que o candidato da oposição é o favorito. Somente 35% avaliam que Lula/o candidato do governo será o favorito.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é apontado por 49% dos deputados como o principal nome da oposição. 13% citam o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). 6% mencionaram a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). 4% citam o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD). E 3% mencionam o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil). 51% acreditam que Jair Bolsonaro deve abrir mão da candidatura em 2026. 23% entendem que ele deve manter a candidatura.
O desgaste do governo com o Congresso não se limita apenas à recente derrubada do decreto do IOF. Trata-se de um desgaste mais profundo, que envolve impasses em relação às emendas, à atenção que o Palácio do Planalto dá aos parlamentares, e à condução da política econômica. Soma-se a isso a perda da popularidade de Lula, reduzindo a blindagem que o presidente tinha no Congresso.
A tendência é que esse relacionamento continue negativo. Mesmo que exista a possibilidade de uma conciliação no caso da judicialização do decreto do IOF, o governo terá maiores desafios em fazer sua agenda avançar no Congresso, principalmente após o PT retomar o embate “ricos x pobres”. Não por acaso, parte significativa do Congresso considera a oposição favorita para 2026.
Sobre a sucessão, chama atenção a força do nome de Tarcísio entre os deputados, assim como a percepção da maioria dos parlamentares de que Jair Bolsonaro deveria abrir mão da candidatura.

