O presidente Lula (PT) afirmou nesta segunda-feira (28) que não vai admitir qualquer interesse dos Estados Unidos sobre os minerais críticos do Brasil, como nióbio, terras raras, lítio e níquel. Lula declarou que a discussão sobre os minerais críticos é “coisa nova” e defendeu que o Brasil não deve abrir mão desses recursos.
“Se eu nem conheço esse mineral e ele já é crítico, vou pegar ele pra mim. Por que eu vou deixar pra outro pegar?”, afirmou.
O presidente anunciou a criação de uma comissão para levantar todas as riquezas que o Brasil tem no solo e no subsolo. “Hoje, conhecemos apenas cerca de 30% do nosso potencial mineral, ou seja, ainda faltam 70% para serem pesquisados.”
“Temos que dar autorização para a empresa pesquisar sob o nosso controle. Na hora que a gente der autorização e a empresa achar, ela não pode vender sem a nossa autorização. Porque aquilo é nosso é de uma pessoa chamada povo brasileiro”, declarou.
A fala é um reforço de quando, na última quinta-feira (24), Lula criticou o encarregado de negócios dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, que teve reunião com representantes do setor de mineração e integrantes do governo em meio a discussões sobre alternativas para o tarifaço imposto pelo presidente norte-americano Donald Trump.
Por que os minerais críticos são estratégicos?
Esses minerais são considerados estratégicos porque são insumos essenciais para a transição energética, indústria de defesa e tecnologia de ponta, além de serem vitais para mercados industriais emergentes.
Eles são indispensáveis para fabricar baterias, mísseis, veículos elétricos, turbinas eólicas, aviões de caça, semicondutores e outros sistemas avançados, mercados estratégicos para qualquer economia.
O termo “crítico” se refere tanto à importância econômica desses materiais, quanto à limitação de fornecedores: a produção está altamente concentrada em alguns poucos países, particularmente a China, que detém mais de 80% do processamento global de terras raras, lítio e cobalto.
Potencial brasileiro
Além de deter cerca de 98% das reservas mundiais de nióbio, o Brasil possui grandes jazidas de grafite, lítio, cobre, cobalto e, sobretudo, terras raras – 17 elementos químicos indispensáveis para produtos eletrônicos, defesa e energias renováveis. O domínio desses recursos torna o país estratégico não só para os EUA, mas também para a União Europeia e outros blocos interessados em reduzir a dependência da China.
Exemplos recentes mostram que o tema tornou-se peça-chave na geopolítica mundial. Os Estados Unidos chegaram a condicionar apoio militar à Ucrânia à assinatura de um acordo para acesso a terras raras do país do leste europeu. Também há interesse em regiões como Groenlândia, local em que Trump já insinuou que os Estados Unidos deveriam “anexar” ao seu território.

