Em conversa por telefone nesta sexta-feira (11), o presidente Lula (PT) manifestou apoio e solidariedade à Dinamarca frente às recentes declarações do presidente norte-americano Donald Trump, que voltou a sugerir a anexação da Groenlândia, território autônomo dinamarquês no Ártico, pelos Estados Unidos.
Durante o diálogo com a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, Lula destacou a importância do respeito à soberania territorial, e condenou qualquer tipo de interferência externa em regiões autônomas. A posição brasileira se alinha à de Copenhague, que já reafirmou que a Groenlândia não está à venda, e que a ideia de anexação é inaceitável. Líderes regionais da Groenlândia também denunciaram publicamente o que chamam de “interferência estrangeira”.
Apesar de a Groenlândia pleitear independência total em médio ou longo prazo, nenhum dos principais partidos locais defende a anexação pelos Estados Unidos. O território tem importância geopolítica significativa por sua localização estratégica no Ártico, seus recursos naturais, e por abrigar uma base militar estadunidense, instalada como parte de um acordo de defesa assinado em 1951 entre Dinamarca e EUA.
Livre comércio e integração internacional
Além da questão territorial, Lula e Frederiksen discutiram mudanças tarifárias promovidas pelos EUA. Ambos os líderes reforçaram a defesa do multilateralismo, especialmente no que diz respeito ao livre comércio.
Durante a conversa, que durou cerca de 40 minutos, os dois líderes também trataram da necessidade de concluir o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que está em negociação há mais de duas décadas. O Brasil presidirá o Mercosul no segundo semestre de 2025, enquanto a Dinamarca estará à frente da presidência rotativa do Conselho da União Europeia, o que pode favorecer avanços diplomáticos nesse processo.
Cooperação ambiental
Lula aproveitou a ligação para reforçar o convite à primeira-ministra dinamarquesa para visitar o Brasil ainda este ano. Frederiksen foi convidada a participar da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que acontecerá em novembro, em Belém (PA). Ela também deverá integrar a delegação europeia na Cúpula Brasil-União Europeia, cuja data ainda será confirmada.

