O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados, afirmou que é pessoalmente contra a cassação do mandato de Glauber Braga (PSOL-RJ). Segundo ele, a punição aprovada pelo Conselho de Ética é desproporcional, e poderia ser substituída por uma suspensão temporária.
“Pessoalmente, acredito que cassação deveria ser para casos graves como corrupção ou o da Flordelis, por exemplo. Acredito que uma punição de seis meses de suspensão, no caso de Glauber Braga, estaria de bom tamanho”, disse Sóstenes ao portal Metrópoles.
Apesar disso, o parlamentar declarou que seguirá a posição da bancada do PL, que é favorável à cassação. “Como líder do PL, não posso destoar da posição da bancada do partido”, justificou.
Greve de fome
Logo após a decisão do Conselho, Glauber Braga iniciou uma greve de fome e afirmou que não sairá do Congresso até o desfecho do processo. Ele está dormindo no chão do plenário 5, o mesmo onde teve o parecer de cassação aprovado. A greve de fome chegou ao sexto dia nesta segunda-feira (14).
O parlamentar está sob acompanhamento médico, ingerindo apenas líquidos, e já perdeu dois quilos desde o início do protesto. Ele tem sido acompanhado por sua esposa, a também deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP).
Glauber tem recebido visitas de diversas personalidades, como as dos ministros Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Cida Gonçalves (Mulheres) e Sidônio Palmeira (Comunicação Social), além do líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ) e o ator Marco Nanini.
Cassação depende do plenário
Na última quarta-feira (9), o Conselho de Ética da Câmara aprovou, por 13 votos a 5, o parecer que recomenda a cassação de Glauber Braga. O processo ainda pode ser analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), e, se avançar, a decisão final caberá ao plenário da Câmara.
O plenário ainda aguarda o desenrolar do processo de Chiquinho Brazão (Sem partido-RJ). O deputado está preso, sob a acusação de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 2018.
O conselho, em 2021, levou em diante a cassação do mandato da ex-deputada Flordelis, sob a acusação de usar o cargo para obstruir investigações e ameaçar testemunhas. A pastora foi condenada na Justiça por ser a mandante do assassinato do marido, o também pastor Anderson do Carmo. Ela está atualmente cumprindo pena de 50 anos de prisão.
Em 2001, o deputado Paulo Magalhães (PSD-BA) agrediu um visitante da Câmara, o jornalista Maneca Muniz. O parlamentar é sobrinho do ex-governador baiano Antônio Carlos Magalhães (ACM), o qual era tema de um livro-denúncia escrito por Maneca. O jornal O Globo à época mencionou que Paulo agrediu o jornalista “a socos e pontapés”.
O caso não teve punição, e atualmente o parlamentar está no seu sétimo mandato na Câmara. Hoje ele é o relator do processo que pode cassar o mandato de Glauber Braga, apresentando voto favorável à perda de mandato.
Entenda o caso
O processo contra Glauber Braga foi aberto em 2024, após um episódio em que o deputado expulsou aos chutes o influencer Gabriel Costenaro, militante do Movimento Brasil Livre (MBL). Costenaro havia feito provocações a respeito de Saudade Braga, que era mãe de Glauber. A ex-prefeita de Nova Friburgo-RJ estava doente, e veio a falecer 22 dias após o incidente.
Durante todo o processo, Glauber acusou o então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), de favorecer o andamento das sessões contra ele, em detrimento a denúncias de outros parlamentares.

