Após mais de dez anos de tramitação, o projeto de lei que flexibiliza as regras do licenciamento ambiental voltou ao epicentro das tensões políticas em Brasília. A atual fase do debate, marcada por embates na Comissão de Infraestrutura do Senado, revelou um cenário de isolamento da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que enfrentou críticas incisivas de parlamentares da oposição — e até mesmo de nomes ligados ao próprio governo — sem contar com a defesa de senadores da base governista.
Durante a audiência, Marina teve que se defender sozinha da avalanche de críticas. A ausência de apoio da base aliada foi interpretada como mais um sinal da fragilidade política da ministra, cuja atuação à frente da pasta tem sido alvo de descontentamento crescente dentro do próprio Palácio do Planalto.
Fontes próximas à Presidência afirmam que Marina é vista como uma ministra “desalinhada” e “inflexível”, acusada de permitir a obstrução de diversos projetos pendentes de licenciamento ambiental, inclusive obras prioritárias do novo PAC, que sofrem com atrasos significativos. “Ela opera como uma militante, não como uma gestora pública integrada a um governo de coalizão”, afirma, em caráter reservado, um assessor palaciano.
A crítica mais dura parte da percepção de que Marina estaria “colonizada pelo ambientalismo europeu”, segundo fontes do governo. Para esses interlocutores, a ministra prioriza o discurso ambiental internacional — de olho na imagem do Brasil na COP30 — em detrimento das necessidades do país. Esse cálculo político, segundo assessores, é o que teria evitado sua demissão até o momento: o desgaste de sua saída poderia comprometer a posição do Brasil na conferência, marcada para Belém em 2025.
Além da morosidade na concessão de licenças, críticos apontam o descaso do Ministério do Meio Ambiente com temas fundamentais como o saneamento básico, que afetam diretamente a qualidade de vida da população. Lembram, inclusive, que no estado de origem da ministra, o Acre, os índices de saneamento são precários, evidenciando uma gestão pouco conectada com as urgências estruturais do país.
A crítica interna não se restringe à direita ou à oposição. Parte da base aliada também demonstra desconforto com o que consideram ser uma atuação voluntarista e tecnocrática, alheia à complexidade das alianças políticas e às prioridades de infraestrutura e desenvolvimento.
A crise expõe não apenas uma cisão entre ambientalismo e pragmatismo dentro do governo, mas também os limites de governabilidade de um presidente que precisa conciliar pressões externas, compromissos internacionais e interesses internos cada vez mais conflitantes.

