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Hugo Motta afirma que decisão de Dino não compromete a pauta econômica

Dino exige explicações sobre “emendas paralelas” e novo “orçamento secreto”

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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, de cobrar novos esclarecimentos sobre o empenho das emendas parlamentares não compromete a pauta econômica em tramitação no Plenário da Câmara. A declaração foi feita nesta quarta-feira (11).

Dino ordena transparência em emendas

O ministro Flávio Dino deu um prazo de dez dias úteis para que o governo, o Congresso Nacional e os partidos políticos prestem informações sobre essas emendas. Em despacho, ele cita a suposta existência de um novo “orçamento secreto” na área da Saúde, originado a partir de emendas de comissão consideradas “paralelas”.

A medida foi motivada por informações apresentadas pelas organizações Contas Abertas, Transparência Brasil e Transparência Internacional Brasil, que apontam uma suposta manobra para dificultar o rastreamento de parte dos recursos destinados por parlamentares.

Durante coletiva ao final de um evento promovido pelo Grupo Lide e pelo jornal Correio Braziliense, Motta comentou que a execução orçamentária foi ajustada para garantir maior transparência e previsibilidade.

“Misturar a atuação do STF com o debate sobre a política econômica do país é uma associação indevida. O STF cumpre seu papel. Temos tranquilidade quanto à execução do orçamento, e implementamos mudanças justamente para ampliar a transparência e a previsibilidade. Não há nenhum tipo de tensão”, disse o presidente da Câmara.

Atrasos no pagamento

Motta também reconheceu que há atrasos na execução das emendas parlamentares devido à sanção tardia do Orçamento de 2025, que ocorreu apenas no final de abril.

“Isso acabou postergando toda a execução orçamentária. Estamos cobrando agilidade no pagamento das emendas, pois elas são instrumentos importantes para levar infraestrutura e desenvolvimento ao país”, explicou.

Mudança na identificação

Segundo as três entidades que participam da ação como interessadas, estaria em curso uma nova modalidade de destinação de emendas de comissão e de bancada. O Legislativo teria à disposição cerca de R$ 8,5 bilhões no Orçamento da União para esse fim. No entanto, o código de identificação desses pagamentos teria sido alterado, com o objetivo de burlar as exigências de transparência e rastreabilidade impostas anteriormente pelo STF.

As organizações também apontam que parlamentares estariam indicando despesas de ao menos R$ 3 bilhões dentro do orçamento do Ministério da Saúde, o que poderia configurar um novo esquema de orçamento secreto.

Autor

  • Graduada em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB). Vencedora do 16º Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, do Instituto Vladimir Herzog. Foi estagiária da Rádio Senado. *Estagiária sob a supervisão da reportagem.

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