Em conversa com a Arko Advice, Roberto Abdenur, ex-embaixador do Brasil em Washington, classificou as motivações políticas do tarifaço como uma “solidariedade natural entre Trump e Bolsonaro”, já que “os dois se sentem injustamente perseguidos”, continua o atual conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI).
Justificativas
Na justificativa para o tarifaço, o presidente Donald Trump disse que a medida é necessária para proteger os interesses econômicos, políticos e de segurança nacional dos Estados Unidos. Segundo o presidente norte-americano, a tarifa visa responder as ações do governo brasileiro que, de acordo com o chefe estadunidense, representariam uma “ameaça” à liberdade de expressão, à segurança das empresas americanas e à política externa dos EUA.
No texto divulgado pela Casa Branca, Trump também acusa o governo brasileiro, em particular o ministro do STF, Alexandre de Moraes, de abusar de seu poder judicial para “perseguir, censurar e intimidar opositores políticos”, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus apoiadores. A nota ainda acusa Moraes de emitir ordens de censura contra críticos e empresas americanas, impondo multas pesadas, ameaçando processos criminais e até congelando ativos de empresas dos EUA no Brasil.
Trump também menciona uma perseguição a moradores dos Estados Unidos, como o caso do blogueiro Paulo Figueiredo, que é processado no Brasil por declarações feitas nos EUA.
A medida de Trump faz parte de sua política que, de acordo com o próprio, tem como objetivo proteger os interesses dos EUA em “qualquer cenário internacional”. Além das tarifas, o presidente ordenou a revogação de vistos de Moraes e outros aliados na Suprema Corte brasileira, como forma de pressionar o governo do Brasil.
Governo Brasileiro
Após o anuncio, o governo brasileiro divulgou uma nota alegando que considera injustificável o uso de argumentos políticos para validar as medidas comerciais anunciadas pelo governo norte-americano contra as exportações brasileiras.
“O Brasil tem acumulado nas últimas décadas um significativo déficit comercial em bens e serviços com os Estados Unidos. A motivação política das medidas contra o Brasil atenta contra a soberania nacional e a própria relação histórica entre os dois países”, continua o comunicado.
Na nota divulgada à imprensa também foi afirmado que “o Brasil segue disposto a negociar aspectos comerciais da relação com os Estados Unidos, mas não abrirá mão dos instrumentos de defesa do país previstos em sua legislação. Nossa economia está cada vez mais integrada aos principais mercados e parceiros internacionais”.

