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Estratégia do PL pode tirar comissões visadas pelo PT na Câmara

Maior bancada da Casa pressiona por mais poder na divisão das comissões

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Na Câmara dos Deputados, a disputa pelo controle das principais comissões se intensifica. Enquanto MDB e União Brasil negociam a presidência da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) e a relatoria do Orçamento de 2026, o Partido Liberal (PL), do ex-presidente Jair Bolsonaro, e que tem a maior bancada da Casa, entra no jogo para reivindicar mais espaço.

A legenda quer garantir o direito de escolher primeiro na divisão das posições estratégicas, podendo até reivindicar a CCJC ou a relatoria do orçamento para dificultar as negociações dos adversários. Parlamentares do PL avaliam que essa movimentação pode servir para barganhar posições em comissões visadas pelo PT, como as de Educação e Meio Ambiente.

PL define prioridades para comissões estratégicas

Além da CCJC e do Orçamento, o PL listou como prioritárias as seguintes comissões:

  • Relações Exteriores e Defesa Nacional (Credn) – Disputada por Eduardo Bolsonaro (PL-RJ)
  • Saúde
  • Educação
  • Meio Ambiente

A estratégia do PL foi traçada em reunião de bancada nesta terça-feira (4), segundo fontes da Arko Advice.

Por que isso importa?

A divisão das presidências das comissões se tornou ainda mais relevante sob a gestão do novo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Conforme antecipou a Arko, ele prometeu reduzir a prática de votação direta no Plenário, fortalecendo o papel das comissões na análise dos projetos. Se essa diretriz for mantida, os presidentes dos colegiados terão maior controle sobre a agenda regulatória e o ritmo das votações.

A CCJC, principal alvo da disputa, é crucial porque todo projeto precisa passar por ela antes de seguir para o Plenário. O mesmo acontece com a Comissão de Finanças e Tributação (CFT), sempre que uma proposta impacta o orçamento público.

Comissões controlam bilhões em emendas parlamentares

Outro fator que torna essas comissões tão disputadas é o controle sobre emendas parlamentares. A Comissão de Saúde, alvo de disputa entre PT e PL, geriu R$ 17 bilhões em emendas em 2024 – o maior valor entre todas as comissões. Em segundo lugar ficou a Comissão de Desenvolvimento Regional do Senado, que administrou R$ 12 bilhões.

Com mais poder e influência, o PL busca consolidar seu espaço na Câmara e enfraquecer os adversários no embate pela definição das pautas prioritárias do Legislativo.

Autores

  • Jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Coordenador de jornalismo na Arko Advice, contribui para o Política Brasileira com bastidores da política nacional. Tem passagem como repórter pelo Correio Braziliense, Rádio CBN e Brasil61.com. Mestrando em Ciência Política.

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  • Jornalista formado pela Universidade Católica de Brasília (UCB). Com experiência em Política, Economia, Meio Ambiente, Tecnologia e Cultura, tem passagens pelas áreas de reportagem, redação, produção e direção audiovisual.

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