A desvalorização do real ganhou protagonismo entre as preocupações da indústria brasileira. Segundo a Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada em 24 de janeiro de 2025, o número de empresários que apontam o câmbio como um dos principais desafios saltou de 14% para 29,3% entre o terceiro e o quarto trimestre de 2024. O motivo? Insumos importados mais caros, custos de produção em alta e impacto direto na competitividade das empresas.
“A preocupação com o câmbio saltou da oitava para a segunda posição no ranking de maiores entraves à indústria”, destaca Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI. No topo da lista segue a elevada carga tributária, citada por 30,6% dos empresários. Já os juros altos aparecem em terceiro lugar, apontados por 25% dos entrevistados.
O cenário financeiro também sofreu queda no fim do ano de 2024. A satisfação dos empresários com a saúde financeira de seus negócios caiu, e o acesso ao crédito ficou ainda mais difícil. O índice que mede essa facilidade recuou para 42 pontos, reforçando a percepção de um mercado mais restritivo para empréstimos e financiamentos.
Expectativas para 2025 seguem positivas
A reta final de 2024 foi marcada por um ritmo mais fraco na produção industrial. O índice de evolução da produção ficou abaixo dos 50 pontos pelo segundo mês consecutivo, indicando retração da atividade. O emprego seguiu a mesma tendência: depois de seis meses estável, a indústria voltou a registrar queda no número de trabalhadores em dezembro.
Ainda assim, os industriais olham para 2025 com um certo otimismo. Os índices que medem a expectativa de demanda, compras de insumos, exportações e contratações subiram em janeiro, sugerindo que a confiança no próximo ano ainda resiste, mesmo diante dos desafios.
Mas há um contraponto importante: a intenção de investimento caiu, um sinal de que a indústria pode adotar uma postura mais cautelosa nos próximos meses.
Se, por um lado, os empresários esperam um 2025 mais aquecido, por outro, a volatilidade do câmbio e as dificuldades financeiras deixam o setor em alerta. O ano começa com um dilema para a indústria: arriscar-se na retomada ou frear os planos e esperar o cenário se estabilizar.

