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Chefe do Exército previa ditadura de 30 anos, delata Mauro Cid

Ex-ajudante de ordens de Bolsonaro detalha reações com comandantes militares sobre proposta de golpe

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O ex-ajudante de ordens Mauro Cid, em sua delação à Polícia Federal, revelou detalhes sobre a percepção dos então comandantes das Forças Armadas em 2022, diante da possibilidade de Jair Bolsonaro assinar uma minuta golpista para se manter no poder.

Segundo Cid, o então comandante do Exército, general Freire Gomes, alertou Bolsonaro de que um decreto para permanecer no cargo resultaria em um regime autoritário de “20, 30 anos”. O militar explicou que tal medida comprometeria a relação com a comunidade internacional, o funcionamento do Congresso Nacional e levaria o ex-presidente à prisão após deixar o governo.

“E o general falou: tudo que acontecer aqui vai ser um regime autoritário durante os próximos 20, 30 anos. O sr. manda fazer uma eleição, o sr. ganha uma eleição na força e aí como fica a comunidade internacional? O Congresso como é que vai ser? Em 2026 quando o sr. sair? Vai acabar o sr. vai estar preso no outro dia”, diz trecho do depoimento de Mauro Cid.

Posições dos comandantes militares

De acordo com Cid, Freire Gomes representava uma postura “intermediária”. Embora tivesse discordâncias sobre a vitória de Lula, reconhecia que não houve fraude e alertou Bolsonaro sobre as consequências de um golpe.

Já o então comandante da Marinha, Almir Garnier, teria afirmado que a frota estava pronta para agir, mas dependia do apoio do Exército para avançar com qualquer ação.

O comandante da Força Aérea Brasileira (FAB) à época, Carlos de Almeida Baptista Júnior, foi o mais enfático ao desaconselhar a iniciativa. Segundo Cid, ele disse a Bolsonaro:

“Presidente, o sr. entrou no jogo, o sr. quis jogar, o sr. perdeu. (…) o sr. tem que ir pra casa, o sr. tem que fazer oposição.”

Reação de Bolsonaro

Durante um evento do PL nesta quinta-feira (20) em Brasília, Bolsonaro minimizou as acusações da Procuradoria-Geral da República (PGR) e ironizou o caso, chamando-o de “denúncia Disney”. Ele também disse:

“Desde 2019, [eu] articulava ao desacreditar o sistema eleitoral e dar um golpe. O golpe da Disney, porque eu tava lá com o Pato Donald e o Mickey.”

Autor

  • Jornalista formado pela Universidade Católica de Brasília (UCB). Com experiência em Política, Economia, Meio Ambiente, Tecnologia e Cultura, tem passagens pelas áreas de reportagem, redação, produção e direção audiovisual.

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