A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest divulgada hoje (18) aponta que a aprovação do governo Lula (PT) voltou a melhorar, subindo três pontos percentuais em relação a julho. Nesse mesmo período, a desaprovação oscilou negativamente dois pontos percentuais. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Nos últimos dois meses, a aprovação de Lula cresceu seis pontos, enquanto a desaprovação também caiu seis. No entanto, o saldo de popularidade ainda é negativo para o governo em seis pontos. Porém, esse saldo negativo vem em queda: 17 pontos (maio); 10 pontos (julho) e 6 pontos (agosto).
A melhora na aprovação do governo Lula pode ser atribuída à narrativa em defesa da soberania nacional, consequência do tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Brasil; à percepção da melhora da economia; aos preços dos alimentos e ao desgaste do bolsonarismo, principalmente do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), grande protagonista das sanções impostas pelo governo Trump contra o Brasil.

Na divisão por regiões, a desaprovação supera a aprovação no Sudeste (55% a 42%); no Sul (61% a 38%) e no Centro-Oeste/Norte (53% a 44%). A aprovação supera a aprovação somente no Nordeste (60% a 37%). Apesar da desaprovação em três das quatro regiões do país, a aprovação do governo cresceu em todas as regiões do país em relação a julho: Nordeste (7 pontos); Sudeste (2 pontos); Sul (3 pontos) e Centro-Oeste/Norte (4 pontos).
A pesquisa também mediu a aprovação do governo Lula nos oito maiores estados do país. A desaprovação supera a aprovação em São Paulo (65% a 34%); Minas Gerais (59% a 40%); Rio de Janeiro (62% a 37%); Paraná (64% a 34%); Rio Grande do Sul (62% a 37%); e Goiás (66% a 33%). Na Bahia e Pernambuco, a aprovação supera a desaprovação: 60% a 39% e 62% a 37%, respectivamente.
No recorte por faixas de rendas, a aprovação do governo supera a desaprovação entre quem ganha até 2 salários mínimos (55% a 40%). Nas demais faixas renda, a desaprovação prevalece sobre a aprovação: mais de 2 a 5 salários (54% a 44%) e mais de 5 salários (60% a 39%). Chama atenção a expressiva melhora da aprovação entre quem recebe até 2 salários em relação a julho. Nos últimos 30 dias, a aprovação cresceu 10 pontos nessa faixa de renda enquanto a aprovação caiu 9 pontos.
De acordo com a pesquisa, a aprovação de Lula concentra-se entre os eleitores que se dizem lulista/petista (90%) e mais à esquerda (86%). A desaprovação, por outro lado, é preponderante entre quem é bolsonarista (91%) e mais à direita (90%). Entre os que não possuem posicionamento, 53% desaprovam o governo. 42% aprovam. No entanto, em relação a maio, a aprovação nesse público estratégico cresceu 9 pontos. A desaprovação, nesse mesmo período, caiu 8 pontos.
Quanto à avaliação do governo Lula, o saldo também permanece negativo para o presidente. Hoje, a avaliação negativa (ruim/péssimo) é 8 pontos percentuais maior que a avaliação positiva (ótimo/bom). No entanto, essa distância caiu em relação a julho, quando registrava 12 pontos. Em maio, a distância era ainda maior: 17 pontos.

De acordo com a Genial/Quaest, 43% dos entrevistados consideram que o governo Lula é melhor que a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para 38%, a gestão Lula é pior. Comparado a julho, cresceu 3 pontos aqueles que consideram o governo Lula melhor. Por outro lado, caiu seis pontos o percentual daqueles que consideram a gestão Lula pior que a de Bolsonaro.
Apesar da melhora na popularidade de Lula e da vantagem do presidente na comparação com Bolsonaro, 57% acreditam que o país está na direção errada. 36% consideram que o Brasil está na direção certa.
Em relação à economia, 46% consideram que a economia piorou nos últimos 12 meses. Para 22%, a economia melhorou. Apesar dos índices terem ficado estáveis em relação a julho, a percepção de que a economia piorou era de 56% em março contra 16% daqueles que consideram que a economia melhorou.
Nos últimos cinco meses, caiu 10 pontos o percentual dos que consideram que a economia piorou. Nesse mesmo período, cresceu seis pontos aqueles que acreditam que a economia melhorou.
Apesar de 55% dos entrevistados dizerem que está mais difícil conseguir emprego, comparado a julho caiu 16 pontos percentuais o índice dos que dizem que o preço dos alimentos subiu. Nesse mesmo período, cresceu 10 pontos aqueles que enxergam que o preço dos alimentos caiu.
Embora seja maioria os que dizem que o preço dos alimentos subiu (60%), houve uma redução expressiva na percepção do aumento do preço dos alimentos.
Também ocorreu uma melhora na percepção do poder de compra. Caiu 10 pontos (80% para 70%) o percentual dos entrevistados que dizem que o poder de compra é menor que a um ano atrás. Por outro lado, cresceu seis pontos o que enxerga que o poder de compra aumentou.
A melhora em relação ao preço dos alimentos e o poder de compra mexe com as expectativas econômicas futuras: 40% acreditam que a economia irá melhorar, mesmo índice daqueles que dizem que a economia irá piorar.
Em relação ao tarifaço de Donald Trump, a Genial/Quaest aponta que 71% acham que Trump está errado ao impor taxas ao Brasil por acreditar que existe uma perseguição política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL); 21% acreditam que Trump está correto.
Para 64%, o tarifaço irá aumentar o preço dos alimentos. Apenas 18% acreditam que o preço irá se reduzir. 67% consideram que o Brasil deve negociar com os Estados Unidos. Apenas 26% são favoráveis à retaliação.
Segundo a pesquisa, 48% entendem que Lula e o PT estão mais corretos no embate com os Estados Unidos. 28% acham que Bolsonaro e seus aliados estão mais corretos.
No entanto, por ora, nenhum líder político possui um saldo positivo quando os entrevistados são questionados se eles estão agindo bem ou mal diante das tarifas de Trump: Lula (-2 pontos); Tarcísio de Freitas (-11 pontos); Ratinho Júnior (-11 pontos); Fernando Haddad (-12 pontos); Ronaldo Caiado (-15 pontos); Romeu Zema (-16 pontos); Jair Bolsonaro (-31 pontos); e Eduardo Bolsonaro (-55 pontos).
Quanto a Lula, 49% consideram que o presidente está agindo em defesa do Brasil. 41% entendem que Lula está aproveitando-se do tarifaço para se promover.
Para 55%, o tarifaço não será capaz de inverter a inelegibilidade de Jair Bolsonaro. 36% acreditam que sim. Sobre Eduardo Bolsonaro, 69% dizem que ele age em favor dos próprios interesses e da família Bolsonaro. 23% dizem que Eduardo defende os interesses do Brasil.
Apesar da melhora na aprovação de Lula ser positiva para o governo, o saldo de popularidade do presidente segue negativo. O tarifaço combinado com a melhora na percepção sobre a economia e o desgaste de Jair e Eduardo Bolsonaro ajudam Lula neste momento.
No entanto, a percepção majoritária de que a economia está piorando e o entendimento de que o Brasil deve negociar com os Estados Unidos continuam sendo obstáculos ao presidente.
Mesmo com a percepção de melhora na economia, a maioria dos entrevistados considera que o preço dos alimentos está subindo. Quanto ao tarifaço, apesar da maioria defender que o Brasil deve negociar com Trump, os avanços na negociação são muito tímidos.
Por outro lado, a aposta no “tudo ou nada” de Eduardo Bolsonaro e a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro beneficiam Lula, já que aumentou o desgaste da família Bolsonaro. Além da pulverização das alternativas de direita, nenhum nome da oposição consegue capitalizar os efeitos negativos do tarifaço. Pelo contrário, Lula ainda é visto como aquele que age corretamente nesse debate.
Outro aspecto a ser destacado na pesquisa é a sedimentação da polarização. Mesmo com a melhora na aprovação de Lula pelo segundo mês consecutivo, temos um percentual expressivo da opinião pública desaprovando o governo.

