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Análise: O simbolismo do vice de Lula em 2026

Governo sinaliza manutenção de Alckmin, mas nomes como Renan Filho e Eduardo Paes seguem cotados

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Principal candidato de uma esquerda vista pelo mercado como mais distante do setor privado, Lula (PT) sempre usou seu candidato a vice-presidente como um sinal aos eleitores – uma espécie de “carta ao povo brasileiro” em carne e osso. Nas eleições de 2022, ele escolheu Geraldo Alckmin (PSB) para vice. O movimento sintetizou a frente ampla que Lula buscava, já que Alckmin foi um tradicional adversário do PT na época em que governou o estado de São Paulo. A dobradinha Lula-Alckmin, guardadas as devidas proporções, foi uma reprodução da aliança entre Lula e o empresário José Alencar nas campanhas vitoriosas de 2002 e 2006.

Para 2026, a vice de Lula não está definida. Embora o mais provável seja a manutenção de Alckmin no posto, ainda haverá um debate interno no governo sobre a questão. O terceiro governo de Lula está mais à esquerda do que nas gestões anteriores. Por isso, como é improvável que ele consiga ampliar o leque de alianças para além de seus tradicionais parceiros – PSB, PCdoB, PSOL, PV, Rede e PDT –, a manutenção de Alckmin como parceiro de chapa ainda não está garantida.

Possibilidades

Um nome que recentemente surgiu como opção seria o do ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB). No entanto, tudo indica que Renan deixará o cargo em abril para concorrer novamente ao governo de Alagoas. Com o governador Paulo Dantas (MDB) sem poder disputar um novo mandato e com a possibilidade de o prefeito de Maceió, JHC (PL), concorrer a governador com o apoio do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP), Renan Filho deverá concorrer ao governo do estado. Como seu pai, o senador Renan Calheiros (MDB), tentará renovar o mandato em 2026, ele precisa de um nome forte na chapa como candidato a governador. E o único nome com esse perfil é o de Renan Filho.

Apesar da necessidade da família Calheiros de ter Renan Filho concorrendo em Alagoas para manter seu projeto político local, Lula não desistiu totalmente de ter o ministro dos Transportes como vice. Diante das dificuldades encontradas pelo presidente para atrair aliados ao centro, ter Renan Filho como vice poderia abrir a possibilidade de conquista do apoio formal do MDB. Contudo, o mais provável é que o MDB opte pela neutralidade no plano nacional, já que os diretórios das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste pendem para a direita.

Outro nome ventilado para vice é o do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD). Paes, porém, tem pouco a ganhar concorrendo como vice de Lula na atual conjuntura. Além de ter de renunciar ao comando da capital fluminense, poderá ficar sem mandato se o presidente perder a reeleição em 2026. E mais: liderando as pesquisas ao governo do Rio de Janeiro para 2026, tudo indica que Paes deixará a prefeitura para disputar o Palácio Guanabara.

Outro aspecto a ser considerado é que dificilmente o PSD apoiará Lula formalmente. Caso o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), concorra à Presidência, o PSD irá apoiá-lo. Caso Tarcísio opte pela reeleição em São Paulo, o PSD já tem dois pré-candidatos ao Palácio do Planalto: o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o do Paraná, Ratinho Jr.

Assim, diante da falta de alternativas, tudo indica que Geraldo Alckmin será mantido como vice de Lula. Isso só não ocorrerá se Alckmin decidir concorrer a governador ou a senador por São Paulo. Se assim for, Lula ficaria com uma chapa ainda mais à esquerda, já que dificilmente conseguiria algum nome fora desse campo. Por tudo isso, a chapa Lula-Alckmin, por ora, deverá ser reeditada.


Alencar e o apoio da indústria

Alckmin e a frente ampla

Em 2002, José Alencar era o presidente da Coteminas. Sua escolha como vice de Lula simbolizou a união entre o capital e o trabalho. Além disso, Alencar era filiado ao PL, um partido de direita, o que marcou uma inflexão de Lula e o PT ao centro, já que até então, os petistas escolhiam opções de esquerda como vices nas eleições presidenciais anteriores. Em 2022, Geraldo Alckmin, embora tenha trocado o PSDB pelo PSB para ser o vice de Lula, ele era um tradicional adversário do PT em São Paulo. Soma-se a isso o fato de Alckmin ter um bom trânsito junto ao empresariado e o mercado. Embora tenha sido uma escolha com um peso simbólico menor que o representado por José Alencar, a presença de Alckmin reforçou a narrativa da frente ampla contra o bolsonarismo.

 

Autor

  • Analista Político da Arko Advice. Doutorando em Ciência Política na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mestre em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Bacharel em Ciência Política (ULBRA-RS). Especialista em Ciência Política (UFRGS). Tem MBA em Marketing Político (Universidade Cândido Mendes).

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