O ministro da Agricultura e Pecuária (MAPA), Carlos Fávaro (PSD), declarou nesta segunda-feira (19) que os casos recentes de gripe aviária no Rio Grande do Sul não deverão causar impacto relevante no preço da carne de frango. Segundo ele, a expectativa é de “pequenas variações” por, no máximo, 10 a 15 dias, devido a um possível excesso de oferta redirecionado para outros mercados.
“Acredito muito mais na estabilidade”, disse Fávaro, destacando que 70% da produção nacional já é destinada ao consumo interno e que o histórico da doença no Brasil indica uma recuperação rápida.
Exportações impactadas, mas sob controle
Com dois focos confirmados no Rio Grande do Sul — em uma granja comercial de Montenegro e em um zoológico em Sapucaia do Sul —, o Brasil viu 17 países imporem suspensões às exportações de frango. Desses, sete (como México, Coreia do Sul e Chile) notificaram diretamente o governo. Outros 10, como China e União Europeia, aplicaram as restrições automaticamente, conforme os protocolos sanitários bilaterais.
Outros países limitaram a suspensão apenas ao estado do Rio Grande do Sul ou ao município de Montenegro, mantendo compras de outras regiões do Brasil.
Nos Estados Unidos, as exportações de ovos continuam normais, mas o envio de material genético foi temporariamente interrompido.
Sistema sanitário brasileiro é elogiado
O ministro Fávaro e o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, destacaram a robustez do sistema de defesa agropecuária do Brasil. Desde maio de 2023, mais de 2 mil investigações sobre gripe aviária foram realizadas. O país é o único no mundo com um painel público que atualiza dados sobre a doença duas vezes por dia.
A resposta aos focos tem sido ágil: das 538 propriedades rurais próximas ao foco em Montenegro, mais da metade já foi inspecionada. Medidas como controle de circulação, destruição de cerca de 70 mil ovos e o sacrifício de 17 mil aves estão sendo aplicadas com rigor.
Reversão das suspensões depende de ciclo sem novos casos
O Brasil precisa completar 28 dias sem novos registros para enviar uma autodeclaração à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), passo necessário para o fim das suspensões. Ainda não há prazo para que os países importadores aceitem essa retomada, mas a expectativa do governo é de um retorno gradual à normalidade.

