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Congresso derruba veto e libera produção de bioinsumos sem registro

Decisão atende demanda do agronegócio e promete impulsionar inovação e sustentabilidade no campo

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O Congresso Nacional derrubou, nesta terça-feira (17), o veto presidencial que impedia a dispensa de registro para a produção de bioinsumos destinados ao uso próprio nas propriedades rurais. A medida, considerada uma vitória para a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e entidades do setor, busca fortalecer a segurança jurídica do produtor rural e aumentar a eficiência e competitividade do agronegócio brasileiro.

O projeto havia sido apresentado ainda no governo Bolsonaro em 2021, e sancionado com três vetos ao final do governo, em dezembro de 2022. Dois vetos foram derrubados, apenas um foi mantido.

O que muda com a nova regra para bioinsumos?

A decisão do Congresso restabelece dispositivos da Lei do Autocontrole (Lei 14.515/2022), permitindo que produtores rurais fabriquem insumos biológicos — como fungos e bactérias — para uso próprio, sem necessidade de registro junto aos órgãos competentes, desde que não haja comercialização desses produtos.

Pontos principais da nova legislação

  • Dispensa de registro: Insumos agropecuários produzidos pelo próprio agricultor para uso exclusivo na propriedade ficam isentos de registro.

  • Proibição de comercialização: A isenção vale apenas para uso próprio, sendo vedada a venda desses bioinsumos.

  • Regulamentação para agrotóxicos e veterinários: O Ministério da Agricultura (MAPA) definirá, por ato próprio, quais insumos não poderão ser isentos de registro, especialmente no caso de agrotóxicos e produtos de uso veterinário.

  • Fiscalização mantida: O Estado segue responsável pela auditoria e fiscalização, mesmo com a flexibilização do registro.

Bioinsumos são produtos naturais, como microrganismos e extratos vegetais, utilizados para fertilizar o solo, combater pragas e doenças e melhorar a produtividade agrícola, substituindo ou complementando defensivos químicos tradicionais.

Do veto à derrubada

O projeto original foi apresentado pelo governo Bolsonaro em 2021 e sancionado em dezembro de 2022, com três vetos. Dois deles, que tratavam da dispensa de registro para bioinsumos de uso próprio, foram derrubados agora pelo Congresso.

O veto havia sido justificado pelo governo passado sob o argumento de que a medida contrariava o interesse público e dificultaria a operacionalização do controle, já que exigiria atualizações constantes diante do surgimento de novos ingredientes ativos. Além disso, o processo de registro de agrotóxicos envolve diferentes órgãos federais, como Anvisa, Ibama e o Ministério da Agricultura, o que poderia gerar dúvidas sobre competências e fiscalização.

A então ministra da Agricultura, Tereza Cristina, alegou que a falta de sintonia entre a força do agronegócio e a capacidade estatal de resposta poderia limitar exportações e precarizar a fiscalização agropecuária.

Autor

  • Jornalista formado pela Universidade Católica de Brasília (UCB). Com experiência em Política, Economia, Meio Ambiente, Tecnologia e Cultura, tem passagens pelas áreas de reportagem, redação, produção e direção audiovisual.

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