O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (9) que o Brasil será incluído em uma nova rodada de cartas, notificando países sobre o aumento de tarifas de importação. O republicano afirmou que o Brasil “não tem sido bom conosco”, e prometeu divulgar detalhes sobre as novas taxas ainda hoje ou amanhã, quinta-feira (10). As tarifas mínimas anunciadas têm variado entre 25% e 40%, com vigência a partir de 1º de agosto.
“O Brasil, por exemplo, não tem sido bom conosco, nada bom”, disse Trump à imprensa na Casa Branca. “Vamos divulgar um número referente ao Brasil ainda esta tarde, ou amanhã de manhã.”
Na segunda etapa de notificações, pelo menos sete países já receberam as cartas: Argélia, Brunei, Filipinas, Iraque, Líbia, Moldávia e Sri Lanka. No início da semana, outros 14 países também foram notificados, e a Casa Branca confirmou que novas cartas seriam enviadas nos próximos dias.
Segundo Trump, as tarifas visam corrigir desequilíbrios na balança comercial dos EUA. No entanto, dados do Ministério do Desenvolvimento Social brasileiro mostram que o país acumula déficits comerciais com os EUA há 16 anos, totalizando US$ 88,61 bilhões no período. Analistas avaliam que a postura de Trump tem forte componente geopolítico, buscando ampliar o poder de barganha dos EUA nas negociações internacionais.
Trump ameaçou o BRICS no início da semana
Na segunda-feira (7), Trump também ameaçou aplicar uma tarifa de 10% a todos os países do BRICS — grupo que reúne Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Egito, Arábia Saudita, Etiópia, Indonésia e Irã. Segundo o presidente estadunidense, o bloco estaria tentando substituir o dólar como moeda padrão global, o que ele classificou como ameaça à economia dos EUA.
Em resposta, o presidente Lula afirmou que os países do BRICS são soberanos, e defendeu o multilateralismo, rechaçando qualquer tipo de intromissão externa.
“Nós defendemos o multilateralismo, porque foi o sistema que depois da Segunda Guerra Mundial que permitiu que o mundo chegasse no estado de harmonia que está sendo deformado hoje com o instrumento do extremismo”, disse.
Em declaração oficial divulgada durante a cúpula no Rio de Janeiro, os líderes do bloco condenaram o aumento de tarifas e outras medidas protecionistas no comércio global, defendendo o sistema multilateral de comércio com a Organização Mundial do Comércio (OMC) em seu núcleo.
Guerra comercial
A nova rodada de tarifas reacende o alerta para uma possível escalada na guerra comercial liderada por Trump. O envio das cartas é visto como estratégia para pressionar parceiros a fechar acordos favoráveis aos EUA. Até o momento, apenas três países chegaram a entendimentos prévios com Washington.
O presidente norte-americano também assinou um decreto adiando para 1º de agosto a retomada das tarifas recíprocas. A previsão era de que o tarifaço fosse retomado nesta quarta-feira (9), o que pode atingir mais de 180 países. Trump reforçou que não haverá nova prorrogação: “Todo o dinheiro será devido e pagável a partir de 1º de agosto de 2025. Nenhuma prorrogação será concedida”.

