O presidente Lula (PT) afirmou, nesta quinta-feira (24), que o Brasil não permitirá qualquer interferência estrangeira sobre seus minerais críticos, como nióbio, terras raras, lítio e níquel. A fala vem após a reunião do encarregado de negócios dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, com representantes do setor de mineração e integrantes do governo, em meio a discussões sobre alternativas para o tarifaço imposto pelo presidente norte-americano Donald Trump.
“Temos todo o nosso ouro para proteger. Temos todos os minerais ricos que vocês querem para proteger. E aqui ninguém põe a mão. Este país é do povo brasileiro”, disse Lula.
Segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Raul Jungmann, que estava presente na reunião com Escobar, “dissemos que a pauta de negociações era privativa do governo”.
Pressão dos Estados Unidos
A declaração ocorre em meio a uma intensa agenda diplomática entre Brasil e Estados Unidos, marcada pela tentativa americana de garantir acesso a minerais essenciais para setores estratégicos, incluindo a fabricação de baterias, veículos elétricos, semicondutores e sistemas de defesa. Em 2025, representantes do setor mineral brasileiro se reuniram por três vezes com diplomatas estadunidenses para debater um possível acordo de cooperação, e discutir os impactos da tarifa de 50% imposta por Donald Trump sobre produtos brasileiros.
Embora integrantes do Ibram relatem não terem percebido tentativa explícita dos Estados Unidos de condicionar alívio tarifário em troca do acesso a minerais, autoridades brasileiras defendem que o tratamento deve ser diferenciado para produtos como terras raras nas negociações. Aproximadamente 70% das exportações desses minerais do Brasil têm a China como destino, ampliando a atenção dos EUA diante da forte dependência global dos asiáticos nesse setor.
Por que os minerais críticos são estratégicos?
Esses minerais são considerados estratégicos porque são insumos essenciais para a transição energética, indústria de defesa e tecnologia de ponta, além de serem vitais para mercados industriais emergentes.
Eles são indispensáveis para fabricar baterias, mísseis, veículos elétricos, turbinas eólicas, aviões de caça, semicondutores e outros sistemas avançados, mercados estratégicos para qualquer economia.
O termo “crítico” se refere tanto à importância econômica desses materiais, quanto à limitação de fornecedores: a produção está altamente concentrada em alguns poucos países, particularmente a China, que detém mais de 80% do processamento global de terras raras, lítio e cobalto.
Potencial brasileiro
Além de deter cerca de 98% das reservas mundiais de nióbio, o Brasil possui grandes jazidas de grafite, lítio, cobre, cobalto e, sobretudo, terras raras – 17 elementos químicos indispensáveis para produtos eletrônicos, defesa e energias renováveis. O domínio desses recursos torna o país estratégico não só para os EUA, mas também para a União Europeia e outros blocos interessados em reduzir a dependência da China.
Exemplos recentes mostram que o tema tornou-se peça-chave na geopolítica mundial. Os Estados Unidos chegaram a condicionar apoio militar à Ucrânia à assinatura de um acordo para acesso a terras raras do país do leste europeu. Também há interesse em regiões como Groenlândia, local em que Trump já insinuou que os Estados Unidos deveriam “anexar” ao seu território.

