Apesar das declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o país enfrenta déficits comerciais “insustentáveis” com o Brasil, os dados oficiais mostram o oposto. Há 17 anos, o fluxo de bens entre os dois países favorece os americanos: desde 2009, os EUA registram superávit comercial em relação ao Brasil, ou seja, vendem mais ao Brasil do que compram.
Em carta enviada ao presidente Lula (PT), Trump justificou a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, alegando a necessidade de corrigir “muitos anos de políticas tarifárias e não tarifárias do Brasil, causando esses déficits comerciais insustentáveis contra os Estados Unidos”. O mesmo argumento foi utilizado em cartas a outros países, como o Japão, sugerindo o uso de um modelo padronizado de comunicação.
Evolução do saldo comercial Brasil-EUA
Nos anos 2000, o Brasil chegou a registrar superávits expressivos na relação bilateral, com vantagem de quase US$ 10 bilhões em determinado momento. No entanto, a partir de 2009, o saldo se inverteu, e passou a ser favorável aos estadunidenses. Segundo dados do Comex Stat, sistema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em 2025 o saldo parcial no primeiro semestre já aponta vantagem de US$ 1,6 bilhão para os EUA.
Perfil das trocas comerciais
Segundo o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin (PSB), “dos 10 produtos que eles mais exportam para nós, em 8 a alíquota é zero, não pagam imposto. A alíquota é zero, o chamado ex-tarifário”. A declaração foi feita na quarta-feira (9), antes do anúncio de Trump.
- Exportações brasileiras para os EUA: commodities e produtos primários, como petróleo bruto, café e ferro/aço.
- Importações brasileiras dos EUA: principalmente bens de alta tecnologia, com destaque para o setor de aviação.
“Então, é uma medida que, em relação ao Brasil, é injusta e prejudica a própria economia americana”, complementou Alckmin.
Reação do governo brasileiro
Alckmin destacou que “o Brasil não é problema para os Estados Unidos”, ressaltando que os EUA têm superávit comercial com o Brasil, ao contrário do que ocorre na balança global norte-americana, que se beneficia do acesso ao mercado brasileiro.
O presidente Lula destacou que “O Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém”, e afirmou que o país pode aplicar a Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente em abril.

