A Coreia do Norte emitiu um comunicado nesta terça-feira (27), condenando o projeto dos Estados Unidos de criar o “Domo de Ouro” (Golden Dome), um sistema de defesa antimísseis que inclui componentes espaciais. Segundo Pyongyang, a iniciativa pode “transformar o espaço sideral em um potencial campo de guerra nuclear” e desencadear uma corrida armamentista global. A China também expressou preocupação, classificando o plano como uma ameaça ao equilíbrio estratégico internacional.
O que é o “Domo de Ouro”?
O sistema, proposto pelo presidente Donald Trump, visa “proteger” os EUA de ameaças aéreas de “próxima geração”, incluindo:
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Mísseis balísticos intercontinentais;
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Mísseis hipersônicos;
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Mísseis de cruzeiro avançados;
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Ataques com drones e veículos aéreos não tripulados.
O projeto prevê uma arquitetura multicamadas, com interceptores espaciais capazes de destruir mísseis inimigos durante a fase de lançamento (“boost phase”), além de sensores orbitais para rastreamento em tempo real. A previsão é que o sistema seja operacional até o final do atual mandato de Trump, em janeiro de 2029.
Críticas da Coreia do Norte e da China
O Ministério das Relações Exteriores norte-coreano acusou os EUA de buscar “segurança absoluta a qualquer custo”, violando o princípio de segurança coletiva entre nações. Em comunicado divulgado pela agência estatal KCNA, Pyongyang afirmou:
“O Domo de Ouro é o ápice da arrogância e da autossuficiência. Os EUA, obcecados em militarizar o espaço, estão pavimentando o caminho para uma corrida armamentista nuclear espacial.”
A China também se posicionou contra o projeto. Na semana passada, o Ministério das Relações Exteriores chinês declarou que o sistema tem “fortes implicações ofensivas” e mina a estabilidade global. Pequim pediu que Washington abandone o plano.
Desafios técnicos e financeiros
Especialistas alertam que o Domo de Ouro enfrenta obstáculos significativos:
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Custos exorbitantes: Orçamento inicial de US$ 25 bilhões (R$ 141 bilhões), com previsão de chegar a US$ 500 bilhões (R$ 2,8 trilhões) em décadas;
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Complexidade tecnológica: Interceptação de mísseis em fase inicial exige precisão milimétrica e satélites em órbitas sincronizadas;
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Riscos políticos: Projeto pode intensificar tensões com Rússia e China, que já desenvolvem sistemas hipersônicos avançados.

