Na madrugada desta sexta-feira (10), o Congresso do Peru aprovou por unanimidade a destituição da presidente Dina Boluarte, alegando “incapacidade moral permanente” para enfrentar a onda de crimes e corrupção que assola o país. Boluarte, que não compareceu à sessão, deixou de apresentar defesa.
O presidente do Parlamento peruano, José Jerí, assume o poder interinamente até as eleições gerais de abril de 2026.
“O principal inimigo está fora, nas ruas, os grupos criminosos, as organizações criminosas, eles são hoje nossos inimigos, e aos inimigos devemos declarar guerra”, afirmou Jerí.
Instabilidade política no Peru
Quatro moções apresentadas por partidos alegaram corrupção, enriquecimento ilícito e omissão diante do avanço da criminalidade, incluindo escândalos como o “Rolexgate” e protestos violentos reprimidos durante o governo.
Boluarte já havia enfrentado outras tentativas de destituição, mas foi removida desta vez com apoio inclusive de ex-aliados da direita e extrema-direita.
O Peru passa por uma grave instabilidade política, contando com sete presidentes nos últimos nove anos. Boluarte era vice do hoje ex-presidente Pedro Castillo, e assumiu sem bancada própria e com baixíssimo apoio popular.
Vista como oportunista na política peruana, Boluarte buscou se aliar à extrema-direita para obter apoio político, mesmo tendo sido eleita numa chapa de esquerda. Porém, suas tentativas foram em vão e causaram um sentimento forte de traição no eleitorado rural e indígena, parcela relevante da população do Peru.

