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Plínio Valério defende autonomia financeira do Banco Central

Relator da proposta, senador afirma que há espaço para diálogo com o governo, mas defende que o tema seja votado mesmo diante de divergências.

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Em entrevista à Arko, o senador Plínio Valério (PSDB-AM) defendeu a importância de avançar com a PEC da autonomia financeira do Banco Central (PEC 65/2023). Relator da proposta, ele afirmou que há espaço para diálogo com o governo e que o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, concorda com os termos do relatório. No entanto, segundo o  parlamentar, a negociação ainda não avançou.

“A questão do governo protelando era mais com o Roberto Campos Neto. Mas acho que vai ter diálogo, sim, com o Galípolo”, afirmou.

O senador defendeu que o tema seja votado independentemente das divergências.

Confira a íntegra da entrevista:


O senhor é o relator do projeto sobre a autonomia financeira do Banco Central. Quais as expectativas para um acordo com o governo sobre os pontos travados do texto?

Quando o [Gabriel] Galípolo, [presidente do Banco Central], esteve comigo, ele estava conhecedor da PEC [Proposta de Emenda à Constituição] e do meu relatório. Ele disse que concordava com a autonomia colocada naqueles termos e com o relatório. E eu disse a ele que o relatório, embora publicado, poderia sofrer mudanças. E o governo protelou. Mas a questão do governo protelando era mais com o Roberto Campos Neto [ex-presidente do BC, nomeado por Jair Bolsonaro]. O [presidente] Lula ficou com muita raiva do Roberto Campos, porque descobriu que não poderia exonerá-lo. Ele devia ficar com raiva era de mim, porque o autor da lei da autonomia operacional fui eu. Mas acho que vai ter diálogo, sim, com o Galípolo. O sindicato vai continuar fazendo política, dizendo que não concorda. Mas não diz por que não concorda, não diz o ponto de vista dos trabalhadores, dos funcionários, dos servidores. Nós vamos ter que levar para votação. Você perde ou você ganha, mas tem que votar.

Qual a sua opinião sobre a fusão do PSD com o PSDB? Caso haja a fusão, pretende continuar no partido?

Vejo com preocupação. Mas sou daqueles que enfrentam o problema na hora que o problema aparece de verdade. Ficamos de marcar uma reunião com a Executiva Nacional para saber em que estágio está essa conversação e quantos de nós concordamos com ela. No Senado não afetaria absolutamente nada. O PSD tem 15 senadores; o PSDB só tem a mim. Lá na Câmara talvez afete, mas não me vejo no partido nessa fusão.

Quais as tratativas de cargos para este ano? O senhor deve pleitear algum?

Eu não tenho nenhuma oportunidade de presidir comissão. O PSDB só tem a mim, então não tenho essa pretensão. Nesses anos todos, até já fui convidado, por duas vezes, para ser quarto-secretário e não aceitei. Houve ainda algumas comissões sem muita importância e também não aceitei. Eu faço questão é de fazer parte da CCJ [Comissão de Constituição e Justiça]. Aí, sim, a gente tem que negociar.

Autor

  • Formada em jornalismo pelo UniCeub e graduanda em Ciências Políticas. Atuou como repórter na TV Cultura, Record, Metrópoles e R7. Atualmente, na Arko Advice cobre Congresso Nacional. Vencedora do Prêmio Einstein +Admirados da Imprensa de Saúde e Bem-Estar e do Expocom/Intercom Centro-Oeste. Também conquistou lugar no Prêmio Paulo Freire de Jornalismo.

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