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Entrevista: Embaixador José Alfredo Graça Lima avalia consequências do tarifaço

De acordo com o Graça Lima, alguns setores perderão participação no mercado, o que terá impacto sobre a balança comercial

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O embaixador José Alfredo Graça Lima avaliou, em entrevista à Arko Advice, as consequências do tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Graça Lima é um dos primeiros negociadores do Brasil nas conversas entre o Mercosul e a União Europeia (UE).

Veja a entrevista na integra:

Quais as consequências do tarifaço do presidente americano, Donald Trump, para o Brasil?

Alguns setores – aço e alumínio, caso a sobretaxa seja mantida, suco de laranja congelado e concentrado, carne bovina, etanol – perderão participação no mercado, o que terá impacto sobre a balança comercial. Mas o Brasil continuará superavitário em termos globais. E, na hipótese, improvável, de reduzir suas tarifas “erga omnes”, terá ganhos de produtividade e redução da inflação.

O tarifaço pode acelerar o acordo entre o Mercosul e a União Europeia?

Não. Em matéria de acesso, o acordo não cria, desvia comércio. Sequer emergiu da etapa de “legal scrubbing”, e a França se opõe cada vez mais a ele. O acordo prevê para a UE preferências para produtos que outros parceiros fornecem ao Mercosul a custos mais reduzidos, e que, de resto continuarão pagando impostos internos elevados. Os produtos de interesse exportador dos países do Mercosul, por seu turno, continuam sendo restringidos por cotas muito reduzidas, e a nossa indústria, por mais aberto que seja o mercado europeu, não compete nem com os asiáticos nem com os Estados Unidos.

Qual a diferença entre o anúncio feito por Mercosul e União Europeia em 2019 e o anúncio feito em 2024?

Foram fortalecidas as cláusulas ambientais, para dar mais conforto aos que se opunham ao acordo por razões legítimas – desmatamento, em especial. Mas os franceses sempre estiveram mobilizados contrariamente ao simples aumento de cotas para commodities agrícolas (carne bovina, em particular) e seguem pressionando seu governo no sentido de derrubar o texto negociado pela Comissão.

Qual a importância estratégica do acordo?

A sua importância é de natureza institucional. Sinaliza positivamente aos investidores e “organiza” um Mercosul que pode vir a colapsar no curso da presidência argentina.

 

Autor

  • Formada em jornalismo pelo UniCeub e graduanda em Ciências Políticas. Atuou como repórter na TV Cultura, Record, Metrópoles e R7. Atualmente, na Arko Advice cobre Congresso Nacional. Vencedora do Prêmio Einstein +Admirados da Imprensa de Saúde e Bem-Estar e do Expocom/Intercom Centro-Oeste. Também conquistou lugar no Prêmio Paulo Freire de Jornalismo.

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