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Mesmo com tarifaço, exportações do Brasil para os EUA crescem 21,9% em abril

Argentina surpreende como novo destino comercial

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A tarifa de 10% imposta no começo de abril pelo presidente norte-americano, Donald Trump, sobre produtos importados do Brasil acendeu um alerta em vários setores da economia. Apesar da expectativa negativa sobre os impactos na corrente comercial com os Estados Unidos, a realidade vem se consolidando de outra forma.

O que parecia ser um desafio, se tornou, na verdade, uma surpresa. A balança comercial divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço (MDIC) nesta semana demonstrou que as exportações com o país norte-americano cresceram 21,9% e somaram US$ 3,57 bilhões.

Mesmo assim, o mercado comercial com os Estados Unidos deu uma balançada em alguns setores da economia brasileira. Na indústria de transformação, a queda de 13%, resultou em recuo de US$ 78 milhões nas vendas.

Vale lembrar que o Brasil possui uma alíquota de 25% sobre importações de aço e alumínio, também imposta por Trump neste segundo mandato.

Argentina cresce e China recua

Alguns especialistas da área de comércio internacional acreditavam que a imposição tarifária seria um contexto favorável à abertura de novos mercados com outros países, já que os danos com o gigante norte-americano se tornariam certos. A China era o principal fator nessa equação, porque também estava sofrendo com as sanções e ocupava o posto de principal parceiro comercial do Brasil desde 2009.

A expectativa se consolidou, mas com um outro país que não estava sendo cotado para a expansão comercial. Quem entra no jogo, dessa vez, é a Argentina. Com um aumento de 45,2% nas exportações, o número chegou a US$ 1,60 bilhões em abril.

O cenário com a potência asiática foi diferente, fechando com uma queda de 12,0% nas exportações.

Brasil adota tom diplomático

O governo vem adotando uma postura mais diplomática ante às sanções impostas por Trump. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, afirmou que a guerra comercial aberta pelos Estados Unidos beneficia o agronegócio brasileiro, mas demanda atenção da indústria do país. A declaração foi feita em um evento promovido pela FPE (Frente Parlamentar do Empreendedorismo) na terça-feira (6).

As tratativas com auxiliares de Trump já estavam sendo feitas antes mesmo de o tarifaço dos EUA entrar em vigor. O contato entre os dois países tem sido mantido por Alckimin.

Mesmo em meio à guerra tarifária, o Brasil não exclui a possibilidade de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC), mas segue apostando nas negociações.

Autor

  • Luiza Melo*

    Graduanda de Jornalismo pela Universidade de Brasília. Teve passagem pela Agência Senado e Poder360. Encantada pelo jornalismo político e internacional. Atualmente, auxilia na cobertura de política no site Política Brasileira. *Estagiária sob a supervisão da reportagem.

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