O presidente Lula (PT) criticou a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de 25% sobre as importações de aço e alumínio. Durante entrevista no Japão, Lula alertou que esse tipo de protecionismo pode prejudicar a economia global e provocar inflação nos próprios Estados Unidos.
“Acho que Trump tem o direito de tomar decisões dentro dos EUA, o que ele precisa é medir as consequências. Se ele pensa que essa decisão de taxar tudo que os EUA importam é boa, eu penso que isso é prejudicial aos EUA”, afirmou Lula. O presidente ainda destacou que a taxação pode elevar os preços dos produtos e gerar inflação, um risco que Trump “ainda não percebeu”.
A medida de Trump impacta diretamente as exportações brasileiras de aço e alumínio, setores que já enfrentaram restrições semelhantes durante sua presidência anterior. O Brasil é um dos maiores fornecedores de aço para os EUA e, em 2018, conseguiu negociar cotas para suas exportações em vez de sofrer tarifas elevadas. Agora, a nova decisão pode afetar ainda mais a indústria siderúrgica brasileira, levando o governo a considerar retaliações.
Segundo Lula, o Brasil tem duas opções para responder à medida: recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) ou aplicar a chamada “lei da reciprocidade”, aumentando tarifas sobre produtos americanos importados pelo Brasil. “Não dá para ficar quieto achando que só eles têm razão e que só eles podem taxar”, afirmou o presidente.
Impacto global e multilateralismo
Lula ressaltou que a decisão de Trump está inserida em um cenário global de crescente protecionismo e tensões comerciais, sobretudo entre EUA e China. Ele rejeitou a ideia de uma nova Guerra Fria, e defendeu a ampliação do comércio internacional como um caminho para o crescimento econômico global.
“O mundo precisa que cresça o comércio entre os países. Quanto mais liberdade no comércio, melhor para todos”, disse o presidente, reforçando o compromisso do Brasil com o multilateralismo, e com acordos que ampliem mercados, como o possível tratado entre o Mercosul e o Japão.

