O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), considerou que as negociações sobre o tarifaço entre os Estados Unidos e o Brasil estão travadas devido aos norte-americanos demandarem uma “solução constitucionalmente impossível”, se referindo a interferência do Executivo ao Judiciário. Diante desse cenário, ele avaliou que “o comércio bilateral vai cair ainda mais”.
Segundo o ministro, a parceria brasileira com os Estados Unidos é muito importante para o Brasil, e as tarifas de 50% resultam de uma situação específica que cabe constitucionalmente a outro Poder. Na carta enviada por Donald Trump, há duras críticas à Justiça brasileira e defesas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), réu em uma ação penal no Supremo Tribunal Federal que investiga uma possível tentativa de golpe de Estado.
A fala de Haddad ocorreu em evento de abertura do Fórum “Futuro Sustentável” – Financial Times & Times Brasil da CNBC, realizado em São Paulo nesta segunda-feira (18).
Plano de contingência
Segundo o ministro, não há, atualmente, perspectiva de ampliação das medidas de contingenciamento publicadas na última quarta-feira (13). O pacote, criado para socorrer os setores afetados pelas tarifas, conta com a liberação de uma linha de crédito através do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), adiamento de tributos, permissão de compras governamentais de produtos afetados e a prorrogação do regime de Drawback.
“Além das medidas conjunturais, nós reestruturamos todo o FGE, o que foi elogiado por especialistas”, contou.
Meta fiscal
O ministro garantiu que o governo seguirá a meta fiscal do arcabouço fiscal em 2026. “Nós vamos cumprir o que está pactuado”, enfatizou.
Para este ano, a meta é de déficit zero, ou seja, com receitas e despesas equilibradas. Por outro lado, em 2026, a meta é de um superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB).

