O endividamento das famílias brasileiras retornou ao patamar de 48,6% no mês de março, segundo dados do Banco Central. O indicador havia alcançado esse patamar em janeiro deste ano, mas apresentou recuo no mês de fevereiro.
As oscilações, entretanto, não representam desaceleração, mas mostram que o endividamento segue elevado, com alta de 0,8 p.p. nos últimos doze meses. A última vez que o endividamento chegou a valores maiores que os atuais foi em maio de 2023, quando foi registrado em 48,8%.
A alta do endividamento converge com os períodos de alta da Selic. Em 2023, por exemplo, a taxa básica de juros da economia estava em 13,75%, patamar restritivo. Já neste primeiro trimestre de 2025, o BC voltou a elevar a Selic, que se encontra em 14,75% atualmente.
Outro dado que mostra a pressão sobre o orçamento família brasileiro é a inadimplência. Considerados os atrasos superiores a 90 dias, o indicador situou-se em 3,5% da carteira, com aumento mensal de 0,3 p.p. Nos último doze meses, a inadimplência no crédito às famílias cresceu 0,4 p.p.
Comprometimento da renda
A nota de estatísticas de crédito do BC traz ainda dados sobre o comprometimento da renda das famílias com dívidas, que chegou a 27,2%, incluindo financiamentos imobiliários. Apesar de apresentar queda de 0,1 p.p. em março, na comparação com fevereiro, o indicador apresenta alta de 1 p.p. nos últimos doze meses.
O comprometimento foi verificado também em patamar recorde desde 2023. Em julho daquele ano, o percentual foi verificado em 27,3%, mesmo valor alcançado em fevereiro deste ano. Com a tendencia de manutenção da Selic em patamares elevados, ou uma queda mais lenta, a tendencia é que a renda brasileira permaneça com o comprometimento elevado.

