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Copom eleva Selic a 14,25%, maior patamar desde 2016

Essa é a quinta vez que a taxa sobe, desde setembro do ano passado

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, em reunião marcada após o fechamento do mercado nesta quarta-feira (19), um novo aumento da taxa básica de juros da economia brasileira. A chamada taxa Selic subiu 1 ponto percentual, passando dos atuais 13,25% para 14,25% ao ano.

A nota do comitê afirma que o “ambiente externo permanece desafiador em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, principalmente pela incerteza acerca de sua política comercial e de seus efeitos”.

Esse é o maior patamar registrado desde 2016, e marca a quinta elevação consecutiva da taxa desde setembro do ano passado. Esta também é a segunda reunião sob a presidência de Gabriel Galípolo, que assumiu o comando do Banco Central no início do ano.

Sobre o cenário brasileiro, o comitê pontua que “o conjunto dos indicadores de atividade econômica e do mercado de trabalho tem apresentado dinamismo, ainda que sinais sugiram uma incipiente moderação no crescimento”.

A Selic é o principal instrumento de controle da inflação. Quando os juros sobem, o crédito fica mais caro, reduzindo o consumo e desestimulando a produção.

Inflação e dólar

O Banco Central tem elevado os juros para tentar conter a inflação, que continua pressionada. Em fevereiro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do Brasil, avançou 1,31%. Foi o maior percentual registrado para o mês desde 2003.

Por outro lado, o câmbio tem apresentado uma leve melhora nos últimos dias. O dólar fechou em R$ 5,74 na sexta-feira (14), uma queda em relação aos últimos meses. Esse movimento pode ajudar a conter a inflação, ao reduzir os custos de importação de produtos e insumos.

Histórico

O ciclo atual de alta da Selic teve início em setembro do ano passado. Desde então, o Banco Central tem promovido aumentos consecutivos:

  • Novembro de 2024: +0,50 ponto percentual (11,25% ao ano);
  • Dezembro de 2024: +1 ponto percentual (12,25% ao ano);
  • Janeiro de 2025: +1 ponto percentual (13,25% ao ano);
  • Março de 2025: +1 ponto percentual (14,25% ao ano).

O que é a Selic?

A taxa Selic serve como referência para todas as outras taxas de juros do país, impactando empréstimos, financiamentos e até os investimentos. Seu principal objetivo é controlar a inflação, já que juros mais altos tornam o crédito mais caro, reduzindo a demanda e freando os preços.

Por outro lado, quando os juros básicos são reduzidos, o crédito se torna mais acessível, estimulando o consumo e o crescimento econômico. No entanto, essa estratégia pode gerar um aumento na inflação se não for bem controlada.

Os bancos utilizam a Selic como referência para calcular os juros cobrados nos empréstimos e financiamentos. Assim, sempre que a taxa sobe, o custo do crédito também aumenta para empresas e consumidores.

Autor

  • Jornalista formado pela Universidade Católica de Brasília (UCB). Com experiência em Política, Economia, Meio Ambiente, Tecnologia e Cultura, tem passagens pelas áreas de reportagem, redação, produção e direção audiovisual.

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