Nesta sexta-feira (18), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou a Sondagem Industrial, que aponta uma deterioração nas condições financeiras da indústria no segundo trismestre do ano. O índice de satisfação com as finanças dos negócios caiu de 48,8 pontos para 48,4, indicando uma leve queda de 0,4 pontos. Em relação ao primeiro trimestre, os dados mostram aumento na insatisfação das indústrias.
O índice de satisfação com o lucro operacional também recuou, passando de 43,8 para 42,8 pontos, refletindo a insatisfação dos empresários. Em cenário semelhante, o índice de facilidade de acesso ao crédito diminuiu 0,5 ponto, atingindo 39,9 pontos. Dificultando a obtenção de financiamento da indústria.
Por outro lado, o índice de evolução do preço médio das matérias-primas caiu 5,4 pontos, chegando a 57 pontos. Apesar da queda, o indicador permanece acima da linha divisória de 50 pontos, sinalizando que os preços dos insumos e matéria-prima seguem em alta.
Carga tributária, juros e demanda foram os principais problemas
Segundo a pesquisa, os três principais problemas enfrentadas pela indústria foram a alta carga tributária, por 36,7%; as taxas de juros, por 29,5%; e a demanda interna insuficiente, por 28,3%
No primeiro trimestre, a demanda interna insuficiente era apontada como o segundo maior problema, ficando à frente das taxas de juros elevadas. No entanto, no segundo trimestre, as ordens se inverteram.
A taxa de câmbio perdeu relevância entre os principais problemas, caindo da 6° para 12° no ranking. O fator foi apontado por 9,4% dos entrevistados, uma queda de sete pontos percentuais em relação ao trimestre anterior.
Desempenho da atividade industrial segue negativo
As atividades industriais tiveram um desempenho negativo em junho. O índice de evolução da produção foi de 47,2 pontos, indicando queda em relação a maio, mês em que o indicador registrou 52 pontos. O índice de evolução do número de empregados foi de 49,1 pontos, também uma retração frente ao mês anterior, quando chegou a 49,6 pontos.
Em relação ao planejado, o índice de estoque recuou de 50,5 pontos para 49,7 pontos, Com essa queda, o índice ficou abaixo da linha de 50 pontos, sendo inferior ao planejado pelos empresários industriais.
Por outro lado, a Utilização da Capacidade Instalada segue avançamdo. Subiu de 70%, em maio, para 71%, em junho. O índice supera em um ponto a UCI registrada no mesmo periodo em 2024.
Expectativas recuam, mas continuam positivas
Todos os índices de expectativa da indústria caíram em julho. O de exportação, 0,8 ponto; o de demanda e o de compras de insumos e matérias-primas, 0,2 ponto; e o de empregados, 0,1 ponto. No entanto, os indicadores continuam positivos, sugerindo que os empresários ainda acreditam em alta nos próximos seis meses.
O índice de intenção de investimento apresentou estabilidade, ao variar de 56,1 pontos para 56,2 pontos. Entre dezembro de 2024 e junho de 2025, o indicador acumula queda de 2,6 pontos.
A pesquisa foi realizada entre 1º e 10 de julho de 2025 e ouviu 1.486 empresas: 607 de pequeno porte; 529 de médio porte; e 350 de grande porte.

