27.5 C
Brasília

Análise: Isenção de LCAs e LCIs ajuda bastante, mas não garante aprovação de MP que tributa títulos isentos

Recuo do relator em taxar LCAs e LCIs é bem recebido, mas votação enfrenta barreiras políticas e técnicas

Data:

O recuo do relator que decidiu não taxar LCAs e LCIs na MP 1.303/25 foi bem avaliado por outros membros da comissão mista que analisa o tema. Parlamentares ouvidos pela Arko Advice comemoraram a mudança, que era o principal pleito das frentes parlamentares ligadas aos setores econômicos afetados.

Esse recuo era negociado de forma intensa pelo menos desde terça-feira (30), quando a votação foi adiada para evitar a publicação de um manifesto do setor produtivo contra a MP.

Vale lembrar que, quando a MP foi enviada à Câmara, foi justamente esse ponto que foi apontado pelo presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) como o centro das resistências.

Esta matéria foi publicada primeiro no Arko Alerta, exclusivo para clientes Arko Advice. Para saber como receber, CLIQUE AQUI.

Porém, o cenário ainda pode apresentar algumas barreiras ao governo. Segundo os parlamentares, o recuo deriva de pressão, não de acordo. Isso significa que, mesmo que a mudança ajude o texto a avançar, não há garantia de votos favoráveis. O partido de Bolsonaro, o PL, tem se posicionado contra qualquer medida arrecadatória. Além disso, alguns outros temas sensíveis ainda mobilizam setores específicos do Congresso que podem apresentar resistência a pontos como a taxação de _fintechs_ e de ativos digitais.

Em segundo lugar, o próprio calendário é um desafio. Em um intervalo de dois dias, a MP precisa ser votada na comissão mista e nos Plenários da Câmara e do Senado. Caso contrário, a MP perde a validade. Assim, manobras de obstrução podem ser especialmente efetivas. Caberá ao governo, até lá, negociar uma tramitação tranquila para o texto.

Potencial de arrecadação segue alto

A taxação de fundos isentos é um trecho considerado importante para o governo, principalmente por seu valor regulatório. Porém, esse não é o elemento da MP com maior potencial arrecadatório (R$ 2,6 bi em 2026). A maior parte da arrecadação virá das novas regras de compensação de créditos tributários. A Receita Federal passará a considerar “não declarados” os pedidos de crédito quando não houver comprovação de pagamento do imposto.

A expectativa inicial era de elevação em R$ 10 bi na arrecadação em 2025 e outros R$ 10 bi em 2026.

Autor

  • Jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Coordenador de jornalismo na Arko Advice, contribui para o Política Brasileira com bastidores da política nacional. Tem passagem como repórter pelo Correio Braziliense, Rádio CBN e Brasil61.com. Mestrando em Ciência Política.

    Ver todos os posts

Compartilhe

Inscreva-se

Receba as notícias do Política Brasileira no Whatsapp

Leia Mais
Relacionado

Eduardo Paes avança três casas no tabuleiro eleitoral do Rio de Janeiro

A complexidade do cenário eleitoral esperado para 2026 no...

Relator da PEC da Jornada 6×1 sugere redução gradual da carga semanal para 40 horas

O deputado Luiz Gastão (PSD-CE) apresentou, nesta quarta-feira (3),...

Governo cria Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos para mobilização de recursos para investimentos sustentáveis

Plataforma e Comitê Gestor visam mobilizar recursos para mitigar o clima, promover a bioeconomia e a transição ecológica

Análise: Três possíveis cenários para a disputa de 2026 ao Governo do RS

A divisão da esquerda pode levar a um segundo turno entre o centro e a direita