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Cristiano Noronha avalia os danos causados ao governo por operação no INSS

Operação Sem Desconto apura esquema de R$ 6,3 bilhões envolvendo aposentados

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A Operação Sem Desconto, deflagrada na quarta-feira (23) pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU), investiga um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.

O escândalo teve grande repercussão e, segundo o vice-presidente da Arko Advice, Cristiano Noronha, em uma entrevista para Jovem Pan News, o governo precisa agir rapidamente para conter os danos. “Eventualmente, isso pode acabar se tornando uma disputa política no Congresso Nacional, com a criação de uma CPI, por exemplo. Apesar de as CPIs terem perdido parte de seu potencial de investigação, elas ainda geram barulho — e isso é desconfortável para o governo, especialmente em um momento em que ele precisa focar em medidas populares”, avalia o analista.

Estão sendo apuradas irregularidades cometidas por organizações da sociedade civil, que cobravam uma “mensalidade associativa” sem a autorização dos beneficiários. Apenas entre 2019 e 2024, a movimentação financeira relacionada ao esquema chegou a aproximadamente R$ 6,3 bilhões.

MP do Crédito Consignado Privado

Segundo Noronha, o Congresso pode aproveitar o momento para endurecer as regras de concessão de crédito consignado. Ele sugere que a Medida Provisória 1.292/2025 — conhecida como MP do Crédito Consignado Privado ou Crédito do Trabalhador — incorpore critérios mais rigorosos para proteger os beneficiários. “Talvez exijam a presença física do idoso na agência bancária, por exemplo”, pontua.

A MP, que está em tramitação no Congresso Nacional, pretende facilitar o acesso ao crédito consignado para trabalhadores com carteira assinada do setor privado. O texto permite que esses trabalhadores contratem empréstimos com desconto em folha de pagamento, sem necessidade de convênio com a empresa, além da possibilidade de uso do FGTS como garantia.

Relação entre União Brasil e governo sofre novo desgaste

A relação do União Brasil com o governo federal voltou a se desgastar após o líder do partido na Câmara, deputado Pedro Lucas (MA), recusar o convite para assumir o Ministério das Comunicações. Para Noronha, trata-se de, “no mínimo, um constrangimento institucional para o governo”.

O União Brasil, apesar de integrar formalmente a base aliada, é um dos partidos com menor grau de alinhamento com o Palácio do Planalto. Sua permanência na base, segundo o analista, se deve, sobretudo, à influência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Autor

  • Graduada em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB). Vencedora do 16º Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, do Instituto Vladimir Herzog. Foi estagiária da Rádio Senado. *Estagiária sob a supervisão da reportagem.

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