Apesar dos sucessivos adiamentos, a reforma ministerial continua nos planos da gestão Lula. De acordo com fontes do governo, o mais provável é que as mudanças sejam realizadas após a aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA), o que está previsto para depois do Carnaval. Isso porque o acordo em torno das emendas parlamentares precisa estar encaminhado antes de uma repactuação do presidente Lula (PT) com os partidos que o apoiam.
Enquanto não coloca o plano para andar, o governo tem lançado mão de “balões de ensaio” para verificar a reação dos partidos, do mercado e da sociedade a respeito de eventuais mudanças. Com o avançar dos meses, a reforma vai perdendo o objetivo inicial de expandir a base de apoio a Lula, ficando apenas como uma forma de gerência dos apoios que já existem acrescidos de ajustes na comunicação com os parlamentares.
Por conta dessas reações, a possibilidade de demissão dos ministros de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), e da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro (PSD), acabou perdendo força. O presidente do PSD, Gilberto Kassab, defendeu a permanência dos dois em seus respectivos postos, mas demandou a troca do terceiro ministério do partido, o da Pesca, que é considerado pequeno e que tem à frente André de Paula (PSD). Uma forma avaliada, em mais um balão de ensaio, seria transferir André de Paula para o Turismo, que hoje está com Celso Sabino (União). O União Brasil, porém, não reagiu bem: publicou um manifesto defendendo a permanência de Sabino. O posicionamento não impede a troca, mas cria mais uma camada de complexidade, dificultando a execução.
Outra forma de atender o PSD, gerando uma reação mais positiva, seria levar o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, chefiado atualmente pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB). O PSB, que perderia o cargo, reagiu por meio de seu líder na Câmara, que demonstrou aceitação apenas se a sigla receber algum cargo equivalente em troca. Uma possibilidade aventada seria dar o Ministério da Ciência e Tecnologia para a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). A atual ministra, Luciana Santos (PCdoB), seria remanejada para o Ministério das Mulheres, desalocando Cida Gonçalves.
Mudança na articulação do governo
Contudo, talvez a mudança mais discutida no Congresso seja a do ministro da Secretaria de Relações Institucionais. As lideranças partidárias têm insistido na demissão de Alexandre Padilha (PT), considerado inábil e acusado de não ter conseguido organizar sua pasta. A reclamação chegou aos presidentes da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, senador Davi Alcolumbre (União-AP), e foi repassada ao presidente Lula (PT).

