O desgaste político do governo Lula ficou ainda mais evidente com a nova pesquisa da Quaest, divulgada nesta quarta-feira (26). O levantamento aponta que a reprovação ao governo já ultrapassa 50% em oito estados pesquisados, com um dado particularmente alarmante no Sudeste: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais registram índices de desaprovação acima de 60%. São três estados estratégicos para qualquer projeto eleitoral nacional. Além disso, na Bahia e em Pernambuco, redutos petistas históricos, a aprovação de Lula despencou mais de 15 pontos, e, pela primeira vez, a rejeição supera numericamente a aprovação nesses dois estados.
Esse cenário impõe desafios imediatos ao governo. O primeiro e mais concreto é o aumento do custo do apoio político no Congresso. Com um governo impopular, os partidos do Centrão, que já operam por pragmatismo, tendem a elevar suas exigências para manter a aliança, cobrando mais cargos, emendas e influência na máquina pública. O Planalto, que nunca teve uma base sólida, vê sua margem de negociação se estreitar ainda mais.
No campo eleitoral, os números também soam como um alerta para aliados regionais. Governadores e prefeitos que antes capitalizavam politicamente sua proximidade com Lula agora precisam recalcular suas estratégias para não serem arrastados pelo desgaste do governo federal. O impacto mais imediato será nas eleições municipais deste ano, onde o PT e seus aliados enfrentarão maior resistência para formar chapas competitivas, sobretudo nas grandes cidades.
A pesquisa Quaest, contratada pela Genial Investimentos, foi realizada entre os dias 19 e 23 de fevereiro e ouviu eleitores de 16 anos ou mais em oito estados: Bahia, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. A margem de erro é de três pontos percentuais na maioria dos estados e de dois pontos em São Paulo.
Os números reforçam um problema mais profundo: até agora, o governo promoveu ajustes táticos na comunicação, mas não apresentou uma mudança estratégica real. A dificuldade de leitura do cenário político é evidente e pode custar caro. Sem um redesenho na condução política, a erosão da popularidade tende a se converter em isolamento, impactando a governabilidade e fragilizando qualquer perspectiva de continuidade em 2026.

