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Análise: Tarcísio ganha terreno no espectro da direita

Mesmo com as credenciais que acumula, Tarcísio de Freitas continua com desafios relevantes

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Após a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), começou a realizar uma movimentação mais forte no cenário nacional. Em Barretos (SP), durante a Festa do Peão, fez importantes sinalizações à base social bolsonarista: agradeceu tudo o que o Bolsonaro “fez por ele” e declarou que o ex-presidente está sendo vítima de “uma grande injustiça”.

Na semana passada, durante evento empresarial do grupo Esfera Brasil, Tarcísio defendeu que um presidente deve fazer “40 anos em 4”. E disse que o Brasil escolherá entre “olhar para o passado” ou “avançar para o futuro”, mencionando pautas que agradam ao mercado, como a desindexação da economia e a redução do número de ministérios.

Além do mercado, Tarcísio de Freitas também colheu manifestações de apoio no mundo político. Na abertura do 67º Congresso Estadual dos Municípios de São Paulo, o ex-presidente Michel Temer (MDB) elogiou Tarcísio, afirmando para as autoridades presentes que elas deveriam seguir o exemplo do governador paulista. O secretário de Governo e Relações Institucionais de São Paulo e presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, disse que seu partido aguarda Tarcísio para pensar sobre os próximos passos rumo a 2026.

Embora seja o favorito em São Paulo caso dispute a reeleição no estado, o projeto nacional de Tarcísio, tendo o setor financeiro e o centro político como pilares – com o aval da boa posição nas pesquisas –, vem ganhando força. Com Jair Bolsonaro fora do jogo em 2026 e o desgaste de nomes ligados à família Bolsonaro, o establishment político e financeiro pode convergir em direção a Tarcísio.

Mesmo com as credenciais que acumula, Tarcísio de Freitas continua com desafios relevantes. Além de precisar ser o escolhido de Bolsonaro para disputar a Presidência, terá de construir um nome de consenso que unifique sua base no estado. Hoje, a alternativa mais competitiva é o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), que precisará renunciar ao cargo para concorrer a governador.

A construção do projeto nacional de Tarcísio passará por uma complexa engenharia política, já que sua ausência em São Paulo pode incentivar o Palácio do Planalto a viabilizar a candidatura do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) ou do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), ao governo estadual. Some-se a isso a disposição da família Bolsonaro de suceder o ex-presidente, sobretudo quanto ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o que poderá levar a tensões com Tarcísio.

Mesmo que Tarcísio tenha ganhado terreno no espectro da direita para 2026, a definição do(s) candidato(s) da oposição ao atual governo federal não deve ocorrer no curto prazo.

Autor

  • Analista Político da Arko Advice. Doutorando em Ciência Política na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mestre em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Bacharel em Ciência Política (ULBRA-RS). Especialista em Ciência Política (UFRGS). Tem MBA em Marketing Político (Universidade Cândido Mendes).

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