Nesta terça, o União Brasil e o Progressistas (PP) devem oficializar a criação de uma federação partidária. A agremiação, que deve se chamar União Progressista, surge como a maior força política de centro/direita do país. Juntas, as duas siglas somam seis governadores, oito prefeituras de capital e várias administrações em grandes cidades, além de possuírem as maiores bancadas do Congresso Nacional: 108 deputados da Câmara e 14 cadeiras no Senado, número que empata com PSD e PL.
Entretanto, esses números ainda podem sofrer alterações até o próximo ano. Isso porque, devido à dinâmica política nos estados, é provável que haja tanto desfiliações quanto novas adesões às legendas. Nos bastidores comenta-se que, apesar de haver maioria favorável à criação da federação, o acordo teria sido conduzido de forma impositiva pelas cúpulas dos partidos, atendendo especialmente a interesses de líderes regionais e nacionais. As diferentes realidades locais e os interesses particulares também geram incertezas quanto à linha política que a federação adotará nas eleições de 2026.
No União Brasil, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que inicialmente se posicionou contra a aliança, agora espera que sua pré-candidatura à Presidência da República seja fortalecida. Caiado sabe que, mesmo com o aceno de apoio a seu projeto presidencial, ele corre o risco de ser descartado e ver a federação optar, em 2026, pela neutralidade ou pelo apoio a algum candidato ungido pelo bolsonarismo.
Outra figura de peso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), também não demonstrou entusiasmo com a proposta de federação, mas poderá se beneficiar dela, caso consiga ampliar sua base de apoio. Ainda assim, ele defende que o União Brasil conserve algum grau de proximidade com o governo do presidente Lula (PT), com quem vem mantendo grande alinhamento. Mas a configuração da federação, com viés mais acentuado à direita, pode dificultar essa relação com o Palácio do Planalto.
Importante observar que tanto o União Brasil quanto o PP são partidos que priorizam a formação de grandes bancadas legislativas. Afinal, é o desempenho nas eleições para o Congresso que define a distribuição do fundo partidário para os quatro anos seguintes. As divergências internas, sejam dentro de cada sigla, sejam entre ambas, tendem a reforçar essa lógica pragmática. Assim, dificilmente a eleição presidencial será prioridade no curto prazo. Romper com a cultura do “cada um por si”, enraizada nas duas legendas, e construir um projeto nacional unificado com amplo engajamento será um desafio e tanto.

