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Análise: Senado na mira da polarização

Maioria na Casa é estratégica para STF, nomeações e impeachment

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Embora o desempenho nas eleições para a Câmara dos Deputados seja determinante para a definição do montante do Fundo Partidário e do tempo de propaganda eleitoral gratuita a que cada legenda tem direito, o pleito de 2026 para o Senado tornou-se o novo epicentro da disputa entre os grupos ligados ao presidente Lula (PT) e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Por motivações opostas, os dois campos se mobilizam para eleger o maior número possível de senadores na próxima eleição, que renovará dois terços da Casa (54 cadeiras) com duas vagas por Unidade da Federação (UF).

No campo bolsonarista, o foco principal é ampliar a capacidade de intervenção na composição do Supremo Tribunal Federal (STF). Cabe ao Senado aprovar as indicações para a Corte, além de ser a instância responsável por instaurar e julgar processos de impeachment contra os ministros. Para aprovar uma indicação ao STF, é necessário obter a maioria absoluta de votos (41). Já para destituir um ministro, são exigidos dois terços dos votos, ou seja, 54, exatamente o número de senadores que estará em disputa.

Sob o argumento de que há perseguição a Bolsonaro por parte do Judiciário, seus aliados articulam candidaturas com o objetivo de impor limites à atuação do STF, reduzir prerrogativas da Corte e, sobretudo, viabilizar processos de cassação de ministros. Apesar de previstos na Constituição e no Regimento Interno do Senado, esses processos nunca foram efetivamente instaurados. Para alcançar essa meta, o grupo pretende apostar em candidatos com forte apelo eleitoral, capazes de impulsionar o “voto casado” com aliados para eleger as duas vagas em disputa em cada UF.

Ciente da estratégia adversária, o lulismo busca reagir. Durante o congresso nacional do PSB, o presidente Lula declarou que é fundamental garantir maioria no Senado, alertando que, sem isso, “a oposição vai avacalhar a Suprema Corte”. Lula defendeu que o PT e os partidos do campo progressista se unam em torno de candidaturas viáveis, abrindo mão de projetos individuais em favor de nomes com maiores chances de vitória, compromissados com a defesa das instituições democráticas e contrários a pautas de caráter conservador. No entanto, essa articulação enfrenta obstáculos. O PT tem uma postura historicamente hegemônica e dificuldade em ceder espaço aos aliados, em especial quando estes não são da esquerda.

Além da disputa em torno do STF, o controle do Senado envolve outros interesses estratégicos para a estabilidade institucional. Cabe à Casa, por exemplo, aprovar as indicações para cargos de alta relevância. Entre esses cargos, constam os de ministros dos demais tribunais superiores, os de membros do Tribunal de Contas da União (TCU), o do procurador-geral da República, os de diretores do Banco Central e das agências reguladoras. Essas atribuições conferem aos senadores um poder político significativo, o que torna ainda mais acirrada a corrida pelas cadeiras em disputa.

Autor

  • Jornalista, analista político e consultor. Pós-graduado em Processo Legislativo, com mais de 20 anos de experiência no acompanhamento do Congresso Nacional. Um observador atento da cena política no parlamento.

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