O esvaziado evento em comemoração ao primeiro ano do programa Nova Indústria Brasil, representou mais um sinal de descontentamento do setor privado com o governo Lula.
A ausência de representantes da indústria chamou atenção, já que parte do setor apoiou o então candidato Lula (PT) nas eleições de 2022. Mas não é somente a indústria que está enviando recados ao governo. O mercado financeiro, por exemplo, também está descontente com os rumos da política fiscal. Some-se a isso a dificuldade de diálogo entre o presidente Lula e parte do agronegócio, mesmo com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, mantendo uma relação positiva com o segmento.
Nem mesmo o bom trânsito do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin (PSB), tem sido suficiente para convencer o setor privado. Existe uma falta de confiança generalizada em relação ao governo, que revela a sua falta de credibilidade.
Os sinais emitidos pela indústria, o mercado e o agronegócio servem de alerta para o governo, já que esvaziam a Frente Ampla constituída por Lula em 2022. Embora tenham apoiado o presidente no início, os principais formuladores do Plano Real também se afastaram.
Na semana passada, por exemplo, o ex-presidente do Banco Central (BC) no governo FHC, o economista Armínio Fraga, que apoiou Lula no segundo turno de 2022, afirmou que o Brasil apresenta sintomas de “paciente que está na UTI”. Arminio defendeu que o presidente do BC, Gabriel Galípolo, precisa de ajuda na área fiscal.
Quando se elegeu presidente pela primeira vez, em 2002, Lula contou com o apoio do setor produtivo, por meio da aliança com o empresário José Alencar, seu vice. A dobradinha com Alencar foi repetida nas eleições de 2006. Em 2022, mesmo sem ter um empresário como vice, Alckmin contribuiu para quebrar a desconfiança do setor privado. Mas isso não tem sido suficiente.
Reverter a desconfiança do mercado, da indústria e do agronegócio se impõe como um desafio nos próximos dois anos de gestão do presidente Lula. Além do impacto econômico que essa questão representa para o país, ter o capital privado com uma postura crítica em relação ao governo prejudica Lula para 2026.

