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Análise: Racismo no Futebol, a Repetição da Impunidade e a Falta de Reação Coletiva

Em diversas ocasiões, mesmo diante de manifestações racistas evidentes, a postura dos juízes é de inércia

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Os episódios de racismo no futebol, longe de serem casos isolados, tornaram-se uma prática recorrente, especialmente em ligas europeias. Vinícius Júnior, jogador do Real Madrid, é um dos alvos mais frequentes, sofrendo insultos racistas repetidamente em partidas do Campeonato Espanhol. O cenário, contudo, não é exclusivo da Espanha: casos semelhantes ocorrem na Itália, na Inglaterra e em diversas competições internacionais.

Três aspectos tornam essa realidade ainda mais alarmante. O primeiro é a fragilidade das punições impostas pelas federações e autoridades esportivas. A Liga Espanhola (LaLiga), por exemplo, frequentemente minimiza os incidentes, enquanto a Federação Espanhola adota medidas tardias e ineficazes. Em outros países, o padrão se repete. A UEFA e a FIFA emitem declarações de repúdio, mas são raras as sanções efetivas que desestimulem a reincidência.

O segundo ponto é a passividade dos árbitros diante dessas situações. Em diversas ocasiões, mesmo diante de manifestações racistas evidentes, a postura dos juízes é de inércia, ignorando os protestos das vítimas ou, no máximo, interrompendo temporariamente o jogo, sem consequências reais para os infratores. O caso de Romelu Lukaku na Itália, onde ele foi punido por reagir aos ataques racistas sofridos, exemplifica essa inversão de responsabilidades.

Por fim, chama atenção a falta de uma resposta coletiva mais contundente dos demais jogadores negros. Embora alguns se manifestem pontualmente, como Kylian Mbappé ou Marcus Rashford em determinadas situações, raramente há uma ação coordenada que envolva boicotes a partidas ou pressões institucionais mais organizadas. Em contraste, nos esportes norte-americanos, como a NBA e a NFL, movimentos de solidariedade já resultaram em paralisações de jogos e pressionaram mudanças estruturais.

O racismo no futebol persiste porque os mecanismos de combate ainda são tímidos e inconsistentes. Enquanto punições simbólicas prevalecerem, árbitros se omitirem e jogadores não se mobilizarem de forma mais enérgica, episódios como os que Vinícius Júnior enfrenta continuarão a se repetir.

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