Mesmo com o agravamento da situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) – consequência da decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) de torná-lo réu, o que deve inviabilizar sua candidatura para o pleito de 2026 –, do ponto de vista político Bolsonaro permanece um ator relevante.
Ainda que, eventualmente, tenha de cumprir pena em regime fechado, caso seja condenado, Jair Bolsonaro é o grande cabo eleitoral do campo da direita. Não por acaso, após o ex-presidente virar réu, saíram em sua defesa lideranças importantes da direita, como os governadores Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG), Cláudio Castro (RJ) e Jorginho Mello (SC). Partido de Bolsonaro, o PL divulgou nota em sua defesa.
Para enfrentar este ano, que se apresenta adverso a seus interesses políticos, Jair Bolsonaro deverá mobilizar nas ruas a sua base social mais fiel. Não à toa uma nova manifestação foi convocada pelo ex-presidente, que no dia 16 de março reuniu apoiadores na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Agora a manifestação está prevista para ocorrer na Avenida Paulista, em São Paulo, no próximo dia 6, um domingo.
Bolsonaro está apostando no enfrentamento político com o Supremo a fim de explorar a narrativa de “perseguição política”, construindo perante seus simpatizantes a imagem de vítima. Além da vitimização, outro foco da estratégia é a pressão sobre o Congresso para tentar viabilizar a aprovação do projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
Esse discurso tem pouca aderência entre a parcela do eleitorado que se relaciona de forma esporádica com a política, mas ajuda Jair Bolsonaro a criar fatos políticos. Além disso, Bolsonaro é um líder popular. Segundo pesquisa divulgada pelo instituto Futura divulgado dia 26, Bolsonaro lidera o cenário estimulado de primeiro turno para a sucessão de 2026 com 41% das intenções de voto. Trata-se de desempenho similar ao registrado por Lula (PT) em agosto de 2018, quando o hoje presidente, mesmo não podendo ser candidato por estar cumprindo pena, liderava o pleito com 39%.
Apesar do desgaste que Bolsonaro enfrenta e da narrativa de seus adversários de que ele estaria fora do jogo, é prematuro projetar sua derrota. Além de a definição do candidato da direita em 2026 passar por ele, Bolsonaro segue como o grande líder nacional que antagoniza com Lula.
Também não devemos desprezar o fato de líderes populares como Jair Bolsonaro utilizarem com eficiência a narrativa da vitimização a fim de manter sua base ativa. Mesmo que juridicamente ele esteja fragilizado, parte do seu capital político continua intacto.

