25.5 C
Brasília

Análise: Por que Bolsonaro não está derrotado

Ainda que, eventualmente, tenha de cumprir pena em regime fechado, caso seja condenado, Jair Bolsonaro é o grande cabo eleitoral do campo da direita

Data:

Mesmo com o agravamento da situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) – consequência da decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) de torná-lo réu, o que deve inviabilizar sua candidatura para o pleito de 2026 –, do ponto de vista político Bolsonaro permanece um ator relevante.

Ainda que, eventualmente, tenha de cumprir pena em regime fechado, caso seja condenado, Jair Bolsonaro é o grande cabo eleitoral do campo da direita. Não por acaso, após o ex-presidente virar réu, saíram em sua defesa lideranças importantes da direita, como os governadores Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG), Cláudio Castro (RJ) e Jorginho Mello (SC). Partido de Bolsonaro, o PL divulgou nota em sua defesa.

Para enfrentar este ano, que se apresenta adverso a seus interesses políticos, Jair Bolsonaro deverá mobilizar nas ruas a sua base social mais fiel. Não à toa uma nova manifestação foi convocada pelo ex-presidente, que no dia 16 de março reuniu apoiadores na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Agora a manifestação está prevista para ocorrer na Avenida Paulista, em São Paulo, no próximo dia 6, um domingo.

Bolsonaro está apostando no enfrentamento político com o Supremo a fim de explorar a narrativa de “perseguição política”, construindo perante seus simpatizantes a imagem de vítima. Além da vitimização, outro foco da estratégia é a pressão sobre o Congresso para tentar viabilizar a aprovação do projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.

Esse discurso tem pouca aderência entre a parcela do eleitorado que se relaciona de forma esporádica com a política, mas ajuda Jair Bolsonaro a criar fatos políticos. Além disso, Bolsonaro é um líder popular. Segundo pesquisa divulgada pelo instituto Futura divulgado dia 26, Bolsonaro lidera o cenário estimulado de primeiro turno para a sucessão de 2026 com 41% das intenções de voto. Trata-se de desempenho similar ao registrado por Lula (PT) em agosto de 2018, quando o hoje presidente, mesmo não podendo ser candidato por estar cumprindo pena, liderava o pleito com 39%.

Apesar do desgaste que Bolsonaro enfrenta e da narrativa de seus adversários de que ele estaria fora do jogo, é prematuro projetar sua derrota. Além de a definição do candidato da direita em 2026 passar por ele, Bolsonaro segue como o grande líder nacional que antagoniza com Lula.

Também não devemos desprezar o fato de líderes populares como Jair Bolsonaro utilizarem com eficiência a narrativa da vitimização a fim de manter sua base ativa. Mesmo que juridicamente ele esteja fragilizado, parte do seu capital político continua intacto.

Autor

  • Analista Político da Arko Advice. Doutorando em Ciência Política na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mestre em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Bacharel em Ciência Política (ULBRA-RS). Especialista em Ciência Política (UFRGS). Tem MBA em Marketing Político (Universidade Cândido Mendes).

    Ver todos os posts

Compartilhe

Inscreva-se

Receba as notícias do Política Brasileira no Whatsapp

Leia Mais
Relacionado

Eduardo Paes avança três casas no tabuleiro eleitoral do Rio de Janeiro

A complexidade do cenário eleitoral esperado para 2026 no...

Relator da PEC da Jornada 6×1 sugere redução gradual da carga semanal para 40 horas

O deputado Luiz Gastão (PSD-CE) apresentou, nesta quarta-feira (3),...

Governo cria Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos para mobilização de recursos para investimentos sustentáveis

Plataforma e Comitê Gestor visam mobilizar recursos para mitigar o clima, promover a bioeconomia e a transição ecológica

Análise: Três possíveis cenários para a disputa de 2026 ao Governo do RS

A divisão da esquerda pode levar a um segundo turno entre o centro e a direita