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Análise: Polarização segue, mas Lula e Bolsonaro apresentam desgaste

Pesquisa Quaest mostra cansaço da polarização

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O lulismo e o bolsonarismo são as duas narrativas que organizam o jogo político hoje no país. Esse paradigma de competição não deverá mudar até as eleições presidenciais de 2026. No entanto, o presidente Lula (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) acumulam desgastes que merecem uma avaliação mais detalhada.

Lula estará diante de importantes desafios até o próximo ano. Na semana passada, por exemplo, a pesquisa do instituto Quaest trouxe informações que sugerem um desgaste estrutural do governo, sinalizando uma frustração e um cansaço da opinião pública em relação aos resultados apresentados pelo presidente.

Ainda de acordo com a pesquisa Quaest, 56% dos entrevistados avaliam que Lula “está fazendo um governo pior que seus dois mandatos anteriores”; 45% consideram que o presidente “está realizando menos do que o esperado”; 61% consideram que o país “está no rumo errado”; 70% apontam que Lula “não está conseguindo cumprir as promessas de campanha”; e 66% avaliam que Lula “não deve ser candidato à reeleição”.

Jair Bolsonaro também enfrenta obstáculos. O levantamento indicou que 65% entendem que Bolsonaro “deveria abrir mão da candidatura agora e apoiar outro candidato”. Conforme podemos observar, a opinião pública mostra cansaço em relação aos principais líderes políticos do país.

Embora ainda falte cerca de um ano e meio até a sucessão, o cenário é de dificuldades para Lula, já que ele necessita reverter uma desaprovação de 57% ao seu governo. Mesmo que haja tempo hábil, o Executivo carece de uma agenda que dialogue com o Brasil do pós-junho de 2013, que se tornou mais complexo e inclinado à direita.

Temos sinais de que a base social lulista não deseja apenas as políticas de transferência de renda implementadas nos governos Lula 1 e 2. Apesar de serem gratos a Lula, esses eleitores se tornaram mais críticos e poderão não votar novamente em Lula ainda que ele tenha recriado a agenda social do passado.

A direita, por sua vez, segue aguardando a volta de Jair Bolsonaro ao poder. Empatado tecnicamente com Lula na pesquisa Quaest, o ex-presidente poderá insistir em sair candidato, mesmo estando inelegível. Se desistir, há dúvidas de que ele apoiará alguém fora de sua família, já que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) também aparece em situação de empate técnico com Lula nas sondagens de intenção de voto.

Atrás de Lula nas pesquisas, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL) é outra opção do bolsonarismo. Contudo, a campanha anti-STF promovida por ele nos Estados Unidos traz dificuldades em um eventual projeto presidencial de Eduardo, já que pode aumentar sua rejeição entre o eleitorado.

Dos nomes na direita não vinculados à família Bolsonaro, quem tem a melhor relação com o ex-presidente é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), único presidenciável hoje com condições de unificar esse campo político. Entretanto, um eventual projeto nacional de Tarcísio teria de receber o aval de Bolsonaro.

A novidade trazida pelo levantamento Quaest é o fato de os dois presidenciáveis do PSD – o governador do Paraná, Ratinho Júnior, e o do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite – também empatarem tecnicamente com Lula. Isso significa que, caso Tarcísio de Freitas não dispute a vaga ao Palácio do Planalto, ganhará força o projeto nacional do PSD.

Se o candidato for Ratinho, a candidatura do PSD teria um posicionamento no campo da centro-direita, espaço similar ao que Tarcísio ocuparia. Já se Leite for o candidato, o cenário mudaria um pouco, visto que o governador gaúcho tem construído um discurso contra a polarização, buscando ocupar o centro político.

Quem é o candidato anti-Lula mais competitivo?

Ainda que o desempenho de Jair Bolsonaro e Michelle anime o bolsonarismo a insistir em ser cabeça-de-chapa em 2026, quando analisamos as simulações de segundo turno da pesquisa Quaest considerando os votos válidos, três governadores apresentam maior competitividade contra Lula: Tarcísio de Freitas, Ratinho Júnior e Eduardo Leite.

Mesmo sendo ainda bastante desconhecidos nacionalmente (53% não conhecem Leite; 48% dizem o mesmo em relação a Ratinho; e 39% não conhecem Tarcísio), os três governadores têm um desempenho próximo ao de Jair Bolsonaro e de Michelle. Jair e Michelle são mais conhecidos, no entanto, são mais rejeitados: o ex-presidente é conhecido por 94% e rejeitado por 55%; a ex-primeira-dama é conhecida por 82% e rejeitada por 51%. Já Tarcísio, Ratinho e Leite são rejeitados, respectivamente, por 33%, 29% e 31%.

Com Lula tendo uma vaga praticamente assegurada no segundo turno das eleições presidenciais, as atenções se voltam para a direita. Se o candidato for Tarcísio, a centro-direita deverá isolar Lula. Entretanto, se Jair Bolsonaro não abrir mão de ter um nome da família na disputa, o campo da direita poderá ter duas ou até três candidaturas, estabelecendo em 2026 uma configuração da eleição bastante distinta dos pleitos de 2018 e 2022.

A sucessão de 2026 é marcada por um cenário complexo. Lula, embora siga competitivo, terá de conduzir o governo de um modo diferente do realizado até agora. Além disso, o desgaste do governo começa a ser capitalizado pela oposição.

Autor

  • Analista Político da Arko Advice. Doutorando em Ciência Política na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mestre em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Bacharel em Ciência Política (ULBRA-RS). Especialista em Ciência Política (UFRGS). Tem MBA em Marketing Político (Universidade Cândido Mendes).

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