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Análise: Pacificação ainda é horizonte distante

O governo tem projetos relevantes a serem aprovados no Congresso

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Apesar do esforço por uma pacificação da política no Brasil, o cenário prévio para o segundo semestre indica que discussões ainda não resolvidas devem atrasar esse desejo. Por exemplo: a pressão pela anistia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a grande possibilidade de sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF); as incertezas envolvendo as tarifas dos Estados Unidos; a proximidade do ano eleitoral; e a necessidade de aprovação de temas relevantes no Congresso.

A estratégia de parlamentares bolsonaristas, na semana passada, de ocupar os plenários para pressionar pela anistia foi um termômetro da escalada de tensões. O principal pleito desse grupo continua sendo a anistia irrestrita aos envolvidos no 8 de janeiro de 2023. Some-se a isso a pressão pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF, e o pedido para que tenham andamento projetos que limitam poderes no STF. Nenhum desses temas, no entanto, caminha em direção a uma pacificação por não haver um consenso entre os parlamentares, o que agrava o clima de disputa pela narrativa política em detrimento de debates estruturantes.

Em outra frente, a atuação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pressiona o Legislativo, mas afeta também o Executivo, por conta das tarifas americanas. A morosidade para se chegar a um acordo obriga o governo a recorrer a medidas de socorro aos setores atingidos. Já há um plano de contingência a ser apresentado pelo governo na próxima semana que pode ter custo fiscal em ano de grande desafio para o cumprimento da meta. Ademais, o governo tem projetos relevantes a serem aprovados no Congresso, enquanto a oposição se organiza para dominar a pauta na Casa.

Ainda na esteira da disputa política, há certa antecipação dos movimentos focando o pleito presidencial de 2026. Governadores têm utilizado os temas que pressionam o governo federal para se projetar em nível nacional. Dessa forma, o lançamento de pré-candidaturas de partidos de centro tende a afastar esse campo da base do governo. É o caso da candidatura de Ronaldo Caiado (União), governador de Goiás, e de Ratinho Júnior (PSD), governador do Paraná. Pelo lado da oposição, o governador Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, deve lançar sua candidatura ainda este mês.

Nesta teia de assuntos relevantes e espinhosos, sobra pouco espaço para discussões relevantes para o país, como o fim da regulamentação da Reforma Tributária e o início de sua implementação, além da discussão sobre a alteração na tabela do Imposto de Renda. A instabilidade institucional e as discussões que buscam apenas ganho político tendem a esvaziar o debate e atrasar discussões com foco no desenvolvimento do país.

Autor

  • Jornalista carioca em Brasília, com experiência em cobertura econômica e política. Formação pela PUC-Rio, com passagem pela CNN Brasil na áreas de produção de videorreportagem.

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