O atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), já sinalizou a aliados e à imprensa que pretende se candidatar à reeleição em 2026. No entanto, como ainda falta tempo para o início do período eleitoral, alguns pontos podem interferir nos caminhos de Lula.
Hoje, ele é o único nome no PT com força e capital político para disputar as eleições presidenciais em 2026. Portanto, provavelmente ele tentará a reeleição diante de qualquer cenário, tendo em vista que o partido não deve abrir mão de candidatura própria e que os outros nomes ventilados não contam com unanimidade entre os petistas, caso do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), do ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa (PT), e do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Economia
A situação, contudo, depende do desempenho econômico do governo no restante de 2025 e no ano que vem. Atualmente, a inflação alta (com a taxa de juros básica em 14,75%) e os casos de corrupção (como a fraude do INSS) estão manchando a imagem do governo. Caso os números da inflação melhorem e os projetos sociais enviados ao Congresso Nacional sejam aprovados, há a possibilidade de o presidente Lula recuperar a popularidade a tempo para as eleições. Entretanto, até o momento, ele não conseguiu emplacar um programa para propagandear como marca de seu governo. Assim, projetos como o que amplia a isenção do Imposto de Renda, o Vale-Gás, a isenção nas contas de luz e o reajuste anual do salário mínimo podem ser determinantes no caminho até 2026.
Saúde
Outro elemento relaciona-se à saúde de Lula. Em outubro, o presidente completa 80 anos e, desde o ano passado, é a pessoa com mais idade a ocupar o cargo. Se reeleito, ele deixaria a Presidência, em 2030, com 85 anos. Nas redes sociais, Lula exibe uma rotina de exercícios físicos diários para mostrar ao eleitorado que está saudável. Diferentemente do ex-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, eliminado da corrida eleitoral de 2024 devido à idade avançada, Lula continua lúcido.
Estilo político
Neste mandato, o presidente tentou repetir a receita das gestões Lula 1 e 2, quando governou com medidas provisórias e negociações de cargos no governo. No entanto, as coisas mudaram e a articulação com as duas Casas agora demanda mais contato direto com os parlamentares.
Outro ponto a ser aprimorado até 2026 é a base do governo. Grande parte dos parlamentares de siglas que hoje ocupam cargos na Esplanada não é fiel às prioridades de Lula e não sinaliza apoio à sua candidatura. No caso da anistia aos presos políticos pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, por exemplo, cerca de metade das assinaturas para o requerimento de urgência do projeto partiu de parlamentares integrantes de partidos da base governista. Apesar de o governo ser expressamente contra a pauta, não houve esse alinhamento com sua base. Assim, o presidente precisaria garantir mais apoio político para arriscar a tentativa de reeleição, diante da ascensão da direita no Brasil.
Comunicação
Além disso, assim como as eleições de 2022 e 2024 foram marcadas por uma grande
participação das mídias digitais, 2026 provavelmente também será. Caberá a Lula melhorar a comunicação do governo – algo que apresentou dificuldade até então – e avançar no uso das redes sociais, para ter um desenvolvimento melhor na campanha. O governo parece analógico em um mundo digital e não está sabendo explorar os bons resultados exibidos até o momento. O Brasil registrou o menor desemprego dos últimos dez anos em 2024, mas a população não percebe e desconhece esses resultados.

