A oposição ao governo Lula (PT) enfrenta um desafio estratégico nas eleições de 2026. De um lado, temos um governo mal avaliado, que enfrenta dificuldades em construir um projeto de país, foi colocado nas cordas pela inflação e resiste em enfrentar os problemas fiscais devido ao seu dogmatismo ideológico em relação ao mercado. De outro, a principal alternativa eleitoral da direita – o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) – está inelegível e carrega uma rejeição que é similar à de Lula.
É neste cenário que a direita necessita construir um candidato que, ao mesmo tempo, atraia o voto bolsonarista, mas não seja afetado pela rejeição de Jair Bolsonaro. Trata-se de um desafio complexo, já que a direita precisa de Bolsonaro para alavancar seu candidato, mas não pode ser afetada pelo desgaste de imagem do ex-presidente. Ou seja, a direita precisa dos votos de Bolsonaro, mas necessita afastar-se de sua rejeição.
Apesar da difícil situação jurídica que enfrenta e de seu desgaste político, Jair Bolsonaro é o grande cabo eleitoral da direita. Sem o apoio do ex-presidente, dificilmente um nome da direita será eleitoralmente competitivo.
Paralelamente ao desafio de gerenciar a relação com o bolsonarismo, a direita precisa apoios ao centro, atraindo partidos estratégicos por conta de seu peso em termos de estrutura, recursos financeiros e tempo de TV como, por exemplo, o MDB, PSD, União Brasil e PP.
A construção do candidato da direita anti-Lula também passará por dois estados estratégicos – São Paulo e Minas Gerais, os dois maiores colégios eleitorais do país.
São Paulo, além de seu peso econômico, é um estado politicamente decisivo para a direita voltar ao Palácio do Planalto. Vencer a esquerda em São Paulo com uma ampla margem de votos é o desafio. Minas Gerais, por sua vez, também é um colégio eleitoral importante. Vale recordar que Minas é uma espécie de swing state brasileiro. Não por acaso, desde 1989, o candidato que vence em Minas Gerais conquista o Planalto.
Um bom desempenho em São Paulo e Minas Gerais, combinado com a manutenção das votações expressivas da direita nas regiões Sul e Centro-Oeste, tem o potencial de aproximar a oposição do retorno ao Palácio do Planalto em 2026, mesmo que o Nordeste continue sendo um reduto lulista.
Apesar da ausência de um candidato natural para enfrentar Lula hoje, a direita conta com uma narrativa mais próxima do eleitor médio que a esquerda. A agenda liberal na economia e conservadora nos costumes é similar ao pensamento da maioria dos brasileiros. Também beneficia a direita o ambiente político de fim de ciclo em curso, pois o terceiro governo Lula, até o momento, não possui uma marca nem agenda de futuro,
Faltando mais de um ano para a sucessão de 2026, é importante estar atento ao sentimento na opinião pública. Hoje, esse sentimento mostra um esgotamento do modelo lulista, tanto na política como na economia, o que abre o espaço para um projeto de direita. A ocupação desse espaço dependerá da unidade desse campo, atraindo o voto bolsonarista, mas indo além dele. Se o bolsonarismo é fundamental para alavancar a direita, apenas reproduzir sua agenda radical, sem avançar em direção ao centro, pode impor limites.

