A publicação do acórdão do julgamento que negou os recursos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) deve impactar o timing da definição no espectro da direita para a sucessão de 2026. Embora Bolsonaro ainda possa apresentar novo recurso, o processo envolvendo a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, no qual o ex-presidente foi condenado, aproxima-se do chamado “trânsito em julgado”, que é quando acaba a fase de recursos. Em breve, Bolsonaro iniciará o cumprimento de pena.
O início da pena em regime fechado não deve gerar grande mobilização de apoiadores de Bolsonaro nas ruas. Por tentativa de violar a tornozeleira eletrônica, Bolsonaro foi preso preventivamente e não foram registrados grandes protestos. No entanto, seus aliados seguirão repetindo a narrativa de que Bolsonaro é vítima de perseguição política e jurídica.
Outro aspecto a ser observado é que o capital político de Jair Bolsonaro não deve sofrer mais desgastes do que o registrado até agora. Apesar de sua elevada rejeição – 60%, segundo a mais recente pesquisa Genial/Quaest –, a direita depende de Bolsonaro para 2026, já que, mesmo desgastado, o ex-presidente figura em situação de empate técnico com o presidente Lula (PT) em um hipotético segundo turno. De acordo com a Quaest, Lula aparece com 42% e Bolsonaro, com 39%.
A dependência da direita em relação ao ex-presidente pode motivar o clã Bolsonaro a buscar a preservação desse capital político. Mesmo com Bolsonaro preso, os bolsonaristas continuarão pedindo anistia – ainda que esse projeto tenha perdido força no Congresso – e dizendo que o ex-presidente será candidato à Presidência no pleito de 2026.
Como o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) também deve ficar inelegível, sobram duas alternativas ao clã familiar: a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Como forma de postergar a definição do(s) candidato(s) da direita, os nomes de Michelle e Flávio como potenciais presidenciáveis continuarão sendo incentivados.
Como é improvável que tenhamos uma definição ainda este ano, mesmo com Jair Bolsonaro fora do jogo, a direita seguirá pulverizada. Os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Romeu Zema (Novo-MG), Ratinho Júnior (PSD-PR) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) permanecerão, ao menos até o próximo ano, como pré-candidatos ao Palácio do Planalto.
Ainda que o rumo a ser tomado pela direita fique mais claro apenas em 2026, o timing da escolha gera uma pressão, principalmente porque se o escolhido for Tarcísio ele necessita se desincompatibilizar do cargo até abril. Além disso, precisa construir um candidato competitivo em São Paulo e amarrar uma aliança de centro-direita.

