25.5 C
Brasília

Análise: O que esperar da estratégia do governo após Bolsonaro tornar-se réu

O discurso da frente ampla e da “defesa da democracia” não deve ter a força que teve na última eleição

Data:

A decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) de tornar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) réu mexe com a estratégia do Palácio do Planalto para 2026. Como vem ocorrendo desde 8 de janeiro de 2023, o presidente Lula (PT) deverá continuar apostando na narrativa de que ele e seu governo “salvaram a democracia”. O discurso da frente ampla também deverá ser retomado.

O objetivo será manter viva na opinião pública – principalmente se a condenação de Jair Bolsonaro for confirmada – a lembrança sobre a suposta tentativa de ruptura institucional em 2022. Embora mobilize setores da imprensa mais simpáticos a Lula e parte da esquerda dogmática, o discurso da frente ampla e da “defesa da democracia” não deve ter a força que teve na última eleição.

Diferentemente de 2022, agora Lula terá de responder pelo governo que realiza. Neste momento, aos olhos da maioria dos eleitores, o presidente realiza um governo “ruim”. Para mudar essa percepção, ele precisa controlar a inflação e construir uma agenda de futuro, o que ainda não ocorreu. Para o bem ou para o mal, o presidente é visto como o responsável por cuidar da economia. Lula será cobrado por isso e dificilmente conseguirá transferir a agenda desse tema para o debate sobre a democracia.

Outro aspecto a ser observado é que Jair Bolsonaro, se condenado, poderá ser preso. A direita terá outro(s) candidato(s). Como consequência, o debate sobre os atos de 8 de janeiro de 2023 e a responsabilidade de Bolsonaro sobre eles serão vistos como agenda do passado.

Ainda assim, a narrativa da “defesa da democracia” fará parte da pauta de uma eventual candidatura de Lula à reeleição. A estratégia será manter acesa a polarização com Jair Bolsonaro, mesmo que o ex-presidente não possa concorrer. Vale recordar que, pouco depois de assumir o comando da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira estabeleceu a comparação com Bolsonaro como um dos motes da nova estratégia comunicacional palaciana.

Tentar “colar” a rejeição a Bolsonaro, caso ele não seja candidato, no representante da direita ainda pode ter algum efeito. Contudo, se a economia não melhorar e o governo não tiver uma marca própria para o terceiro governo Lula, é improvável que a narrativa de 2022 renda mais uma vitória eleitoral para Lula, uma vez que o eleitorado poderá estar disposto a “virar a página” desse debate.

Autor

  • Analista Político da Arko Advice. Doutorando em Ciência Política na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mestre em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Bacharel em Ciência Política (ULBRA-RS). Especialista em Ciência Política (UFRGS). Tem MBA em Marketing Político (Universidade Cândido Mendes).

    Ver todos os posts

Compartilhe

Inscreva-se

Receba as notícias do Política Brasileira no Whatsapp

Leia Mais
Relacionado

Eduardo Paes avança três casas no tabuleiro eleitoral do Rio de Janeiro

A complexidade do cenário eleitoral esperado para 2026 no...

Relator da PEC da Jornada 6×1 sugere redução gradual da carga semanal para 40 horas

O deputado Luiz Gastão (PSD-CE) apresentou, nesta quarta-feira (3),...

Governo cria Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos para mobilização de recursos para investimentos sustentáveis

Plataforma e Comitê Gestor visam mobilizar recursos para mitigar o clima, promover a bioeconomia e a transição ecológica

Análise: Três possíveis cenários para a disputa de 2026 ao Governo do RS

A divisão da esquerda pode levar a um segundo turno entre o centro e a direita