Desde o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil, observamos uma mudança na conjuntura política. Até então, o presidente Lula (PT) passava por um momento adverso, iniciado em janeiro, com a polêmica envolvendo a fiscalização do Pix e o escândalo no INSS. Esses dois eventos haviam elevado a desaprovação do presidente e deixado o governo nas cordas.
No entanto, com as sanções impostas pelo governo americano, Lula construiu uma marca para seu terceiro governo: a defesa da soberania. Mais do que isso, apropriou-se da narrativa nacionalista que até então era hegemonizada pela direita. Favorecem o presidente a atuação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) contra o Brasil, colocando em contradição o discurso do bolsonarismo em defesa da pátria, principalmente após o 7 de Setembro, quando foi aberta uma bandeira dos Estados Unidos no ato em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Lula também foi beneficiado pela condenação de Bolsonaro no julgamento da trama golpista, reativando a narrativa da defesa da democracia paralelamente à defesa da soberania.
No campo econômico, apesar de a percepção sobre o rumo da economia ainda ser negativo, os números positivos no emprego e a queda da inflação de alimentos reduziram a insatisfação dos segmentos de menor renda – base histórica do lulismo – com o governo. Some-se a isso o avanço da agenda social, por meio de programas como o Gás do Povo e a isenção da conta de luz para os mais pobres.
Na semana passada, houve uma vitória simbólica de grande peso na política externa. Durante a Assembleia-Geral da ONU, Lula foi surpreendido com o gesto do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que falou em “química boa” entre os dois, abrindo as portas para um diálogo. A repercussão positiva do discurso de Lula e a sinalização de Trump comprometeram a narrativa do bolsonarismo de que o governo brasileiro não teria interlocução com a Casa Branca.
Lula também pode celebrar a reativação dos movimentos sociais governistas nas ruas. A mobilização gerou efeito, já que o Senado enterrou a PEC das Prerrogativas, proposta que Lula criticou publicamente. Além disso, a mobilização do bolsonarismo em favor do PL da Anistia perde força.
O bom momento de Lula foi confirmado pela pesquisa Ipespe do último dia 25, que apontou um crescimento na aprovação de Lula de 7 pontos em relação a julho, atingindo 50%. A desaprovação caiu 3 pontos, ficando em 48%.
O governo, além de ter um forte candidato, narrativa e um programa para defender, vê a oposição dividida e sem um nome natural para antagonizar com Lula nas urnas. Ainda temos um longo caminho até a sucessão, mas os ventos da política sopram a favor de Lula neste momento.

