O tarifaço que vem sendo anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano), além de desorganizar o comércio internacional, provoca impactos na política doméstica dos países. No Brasil, isso gera tanto oportunidades políticas quanto desafios econômicos para o governo Lula.
Na semana passada, uma pesquisa divulgada pelo instituto Quaest apontou que 43% dos brasileiros possuem uma opinião negativa sobre Trump. Apenas 22% dos entrevistados têm uma imagem positiva do presidente americano.
Em meio ao desgaste da imagem de Donald Trump e dos Estados Unidos na opinião pública, está sendo veiculada uma peça de comunicação governamental intitulada “O Brasil é dos brasileiros”. É o novo slogan criado pelo ministro da Secretaria de Comunicação (Secom), Sidônio Palmeira. O slogan, além de disputar a agenda nacionalista com o bolsonarismo, posiciona o governo Lula como “defensor” do Brasil.
A estratégia de Sidônio passa por tentar vincular a imagem negativa de Donald Trump ao bolsonarismo. Vale recordar que os principais aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) fizeram campanha para Donald Trump e compareceram à sua posse. Além de tentar “colar” no bolsonarismo o desgaste de Trump, o governo busca construir o discurso de que os bolsonaristas defendem os americanos. Trata-se de uma aposta em termos de narrativa.
Em contrapartida, o governo Trump também provoca efeitos econômicos negativos com potencial para ampliar os desafios do governo Lula na economia. Com o mercado internacional mais instável, a expectativa de crescimento do PIB mundial – e também nacional – pode ser afetada negativamente. A inflação, que já está elevada, desgastando o presidente Lula (PT) em sua base mais tradicional, pode continuar alta.
Do ponto de vista político, o tarifaço cria constrangimento para os aliados de Jair Bolsonaro. Entretanto, quem responde pela economia é o presidente da República. Mesmo que as ações de Trump gerem problemas econômicos globais, a opinião pública brasileira tenderá a responsabilizar Lula pelo sucesso ou pelo fracasso da economia.
Outro aspecto a ser observado é que, embora a cobertura da imprensa conceda amplo espaço ao tarifaço imposto por Donald Trump, abordando seus aspectos negativos, os temas relativos à política externa costumam ter impacto apenas residual na política doméstica.

