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Análise: O governo ainda não se encontrou

Lula prognosticou que 2025 seria o ano em que o seu terceiro governo construiria uma marca. Entretanto, após cinco meses, o quadro se revela diferente do otimismo projetado pelo presidente

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Em janeiro, durante uma reunião ministerial, o presidente Lula (PT) projetou que 2025 seria o ano da “colheita”. Naquele momento, Lula prognosticou que 2025 seria o ano em que o seu terceiro governo construiria uma marca, com o objetivo de colher os frutos na campanha da reeleição.

Entretanto, após cinco meses, o quadro se revela diferente do otimismo projetado pelo presidente. Os equívocos começaram ainda no fim de 2024. O corte de gastos então anunciado foi bastante tímido, gerando mais ruídos na relação com o governo, sobretudo porque as medidas vieram acompanhadas da proposta de isentar do Imposto de Renda quem recebe até R$ 5 mil por mês.

Posteriormente, Lula sofreu um forte desgaste com a polêmica criada em torno da medida que buscava fiscalizar o PIX. Por meio de uma eficiente campanha nas mídias sociais, a oposição impôs a narrativa sobre uma suposta tentativa do governo de tributar esse sistema gratuito de transferência de recursos.

A perda de confiança do mercado no governo fez piorar as expectativas econômicas, gerando uma inflação persistente, principalmente em torno dos alimentos, e abalando a popularidade de Lula. Desde o fim do ano passado, a desaprovação ao presidente e seu governo vem superando a aprovação. Apesar de anúncios sobre medidas sociais populares, a conjuntura adversa ainda não foi revertida.

Nas últimas semanas, o cenário político ficou ainda mais complexo para Lula. A descoberta de uma fraude bilionária no INSS, lesando aposentados e pensionistas, levou à queda de Carlos Lupi (PDT) do Ministério da Previdência Social. Aproveitando o cenário ruim para o governo, a oposição trabalha para emplacar uma CPI do INSS. Dada a repercussão do episódio envolvendo a fraude, a tendência é que a popularidade de Lula seja impactada negativamente.

Como consequência da queda de Lupi do ministério, e mesmo com o PDT mantendo o controle da pasta, os deputados federais pedetistas anunciaram a saída da base aliada. Ainda que a bancada do PDT no Senado permaneça na base, a governabilidade de Lula ficou mais frágil.

Outro aspecto a ser observado é que PP e União Brasil, dois partidos que integram a base e contam com ministérios na Esplanada, anunciaram a criação da federação União Progressistas. De olho em 2026, a federação passou a sinalizar uma inclinação mais à direita. Além disso, MDB e Republicanos, que também integram a base, iniciaram conversas que podem culminar igualmente em uma federação.

Em suma: a elevada inflação e a fraude no INSS, que pressiona o governo a encontrar uma forma de ressarcir os aposentados e pensionistas, têm potencial para impactar negativamente a imagem de Lula, aumentando o custo da governabilidade.

Autor

  • Analista Político da Arko Advice. Doutorando em Ciência Política na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mestre em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Bacharel em Ciência Política (ULBRA-RS). Especialista em Ciência Política (UFRGS). Tem MBA em Marketing Político (Universidade Cândido Mendes).

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